A desocupação desordenada de Londrina é a causa original do principal problema ambiental da cidade a poluição das águas. A afirmação é do promotor do Meio Ambiente, Cláudio Esteves. ''Isto só se resolverá com a remoção das famílias que moram em fundos de vale, com a recuperação destas áreas e com o cuidado de não deixá-las serem ocupadas novamente'', explica o promotor.
Segundo o representante do Ministério Público, a questão ''é das mais difíceis de se resolver'' e só será solucionada com políticas sociais permanentes. ''É muito mais fácil autuar uma empresa que lança poluentes em um rio do que responsabilizar um cidadão que mal consegue sobreviver e que vive precariamente à margem de um ribeirão'', compara.
Como, segundo ele, ''é paradoxal'', responsabilizar alguém que está ''completamente à margem da sociedade'', a punição dos culpados ocorre, mas que não há combate eficiente se a política ambiental e a política social não forem implementadas de maneira coordenada.
Esteves está usando a tribuna mais importante do segmento para defender suas idéias. Ele está insistindo com a tese junto ao Conselho Municipal de Meio Ambiente e quer uma integração maior entre os integrantes do órgão.
''Londrina padece de uma desorganização violenta na questão ambiental. Tem muita gente boa fazendo muito coisa boa mas de uma forma desorganizada e desordenada'', avalia Esteves. De acordo com o promotor, a cidade dispõe de muitos estudos sobre a questão ambiental mas que não há intercâmbio de informações. Esteves aproveitou também para criticar a inoperância da secretaria municipal do Meio Ambiente. ''Não há dúvida que a estrutura deste órgão deixa a desejar'', afirmou.
Enquanto aguarda a articulação da sociedade civil, a promotoria está tentando resolver parte do ''maior problema'' dialogando com a empresa encarada como vilã no assoreamento e contaminação da Bacia do Ribeirão Cambezinho. A Sanepar, considerada a principal poluidora das águas urbanas, pode se redimir a partir de um acordo que poderá ser fechado ainda este ano.
Além de tentar ''diminuir sensivelmente'' os vazamentos na rede de esgoto, uma das infrações mais comuns da Sanepar, a promotoria quer que a empresa de saneamento pague o chamado passivo ambiental (um cálculo dos danos causados nas últimas três décadas) com ações que recuperem boa parte das águas urbanas.
Segundo Esteves, a Sanepar vem mudando de postura criou inclusive uma diretoria de meio ambiente e já concordou em participar como protagonista deste esforço. Técnicos de órgãos de controle ambiental estão calculando o passivo. A dívida não será paga em dinheiro mas em ações. ''É mais educativo'', justifica.
Outro caso importante relacionado a poluição de água, o do vazamento do Pool de Combustíveis, o promotor explicou que os órgãos de controle ambiental estão próximos de aceitar a proposta das empresas de distribuição, que reivindicam um termo de ajustamento único, o que inclui o pagamento em conjunto das multas.
Também um efeito colateral da falta de zoneamento urbano, a poluição sonora é outra infração que chama a atenção da promotoria. Segundo Esteves, o problema consome ''60% do tempo de trabalho'' e é maioria entre os 300 procedimentos que estão em andamento no órgão. ''É um problema que lidera as reclamações populares e que é de dificílima solução''.
Esteves conta que tem que dialogar caso-a-caso e normalmente se chega a um acordo, normalmente com a adequação acústica do estabelecimento. Bares e lojas de conveniência instaladas em postos de gasolina lideram as reclamações. ''As pessoas dão pouca importância para a poluição sonora mas tenho laudos que garantem que as consequências a longo prazo são graves''. De acordo com os laudos, as vítimas contumazes sofrem com fadiga e estresse.

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