A instalação "Tecitura de Nós" começou no dia 20 de outubro desse ano e continua com mais dois encontros até dezembro. Cada encontro está sendo realizado em lugares diferentes da cidade: nesta sexta-feira (30) será na Vila Cultural Triolé e no dia 8 de dezembro na Divisão de Artes Plásticas da UEL, ambas são gratuitas e começam às 14h.

Utilizando materiais simples, o público interage não só com a obra, mas entre si, participando de um trabalho de arte relacional
Utilizando materiais simples, o público interage não só com a obra, mas entre si, participando de um trabalho de arte relacional | Foto: Divulgação



O projeto, aprovado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), foi idealizado pela artista e professora londrinense Ana Salai, em parceria da artista visual Giovanna Clivati.
Ana já realizou outras instalações utilizando a tecitura, objeto principal da obra; três durante sua graduação em Artes Visuais na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e mais duas na Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) de Jacarezinho.A proposta da instalação está dentro da arte relacional - conceito de arte contemporânea que veio da Europa e que envolve pessoas distintas entre si por meio da arte, de modo que elas possam interagir com a obra. "O trabalho que eu proponho é uma manualidade com materiais que são industrializados, os mais pobres e simples possíveis, como por exemplo, o TNT", disse Ana. Outros materiais que podem ser usados são tecidos, barbantes, papéis, entre outros.

A proposta do "Tecitura de Nós" é que as pessoas expandam a tecitura com vários materiais diferentes, a retirem do lugar e objetivo que foram inicialmente estabelecidos e a ressignifiquem. A ideia é que as pessoas que fazem parte desse encontro consigam se retirar da rotina, do cotidiano e criar uma pausa no tempo/espaço para eles criarem sentido no momento em que estão.

A artista Ana Salai interagindo com o público: arte para retirar as pessoas da rotina
A artista Ana Salai interagindo com o público: arte para retirar as pessoas da rotina | Foto: Divulgação



Foi durante a pesquisa para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Artes Visuais que Ana teve contato com a arte relacional. A instalação, portanto, é resultado da pesquisa acadêmica que ela realizou. Segundo Ana, o fato de ser tecitura atrai pessoas mais simples e interessadas em fazer crochê, tricô etc. "Elas acabam indo curiosas com o tema e descobrem que é um tema de arte e ficam mais curiosas ainda", disse ela.
Durante a instalação, que dura em média duas horas, os participantes conversam bastante entre si; muitas pessoas descobrem e revelam narrativas pessoais durante o encontro.

A "Tecitura de Nós" já passou por quatro lugares da cidade: Vila Cultural Flapt, Vila Cultural Alma Brasil, Biblioteca Pública Eugênia Monfranati e a Biblioteca Pública Pedro Viriato Parigot de Souza. Em alguns lugares, as conversas predominaram e, em outros, o manuseio dos materiais. Segundo Ana, as pessoas destroem a instalação e constroem outra; dessa maneira, a tecitura se expande e fica com a marca de cada participante que passou por lá. Durante essas conversas, a troca de informação vai desenvolvendo narrativas históricas e geográficas de cada pessoa e, às vezes, elas reconhecem, naquele momento, alguma situação particular. Também é utilizado o cheiro durante esses encontros, como o alecrim, para provocarem uma situação sensorial nas pessoas. O público máximo foi de 15 pessoas, mas Ana e Giovana esperam receber muito mais nas próximas instalações.

Exposição sensorial conta também com cheiros  como o do alecrim
Exposição sensorial conta também com cheiros como o do alecrim | Foto: Divulgação



SERVIÇO
Tecitura de Nós
Quando: 30 de novembro, às 14h
Onde: Vila Cultural Triolé (rua Etienne Lenoir, 155)
Quanto: gratuito
Quando: 8 de dezembro, às 14h
Onde: Divisão de Artes Plásticas da UEL (av. Juscelino Kubitschek, 1973)
Quanto: gratuito

* Supervisão: Célia Musilli
Editora da Folha 2

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