Os sinais substituem a voz e a melodia. Na apresentação do Coral Visiaudio, composto por deficientes auditivos, o que vale é a expressão por meio de uma linguagem especificamente visual. A compreensão da melodia e do sentido da letra fluem como uma coreografia ritmada. Uma forma diferente de cantar que, como as outras, exige esforço e dedicação.
O Coral Visiaudio se apresentou ontem durante a abertura da X Semana Científica e Cultural do Curso de Fonoaudiologia. O grupo reúne estudantes do Centro de Atendimento aos Portadores de Deficiência Visual e Auditiva de Cornélio Procópio, e é coordenado pela professora Sônia Stefano, que dá aulas de Educação Musical na Escola.
Trabalhando com a Língua Brasileira dos Sinais, o Coral Visiaudio reúne 15 dos 31 alunos da instituição - a apresentação de ontem contou apenas com nove participantes. ‘‘Alguns alunos não integram o Coral porque são muito novos, ou ainda não aprenderam bem os sinais. Mas a idéia é que todos façam parte do grupo para que possam mostrar seu trabalho’’, comenta Sônia Stefano. Além do Coral, os alunos ainda aprendem no Centro a tocar determinados instrumentos.
A idéia de participar de um Coral agrada aos alunos, segundo a professora: ‘‘Eles gostam, alguns têm mais facilidade, existem aqueles cuja única forma de se comunicar é visual. Geralmente, quem não tem nenhum resíduo de audição aprende mais rápido. Nós ensaiamos durante as aulas, quando explicamos o texto para eles entenderem o significado’’, comenta, acentuando que o Visiaudio é o único da região formado por deficientes auditivos que está fazendo apresentações.
Com o reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais, adotada pela Escola, o trabalho pedagógico foi facilitado. ‘‘Antigamente, os centros tinham que trabalhar a oralidade, buscar a fala. Agora, continuamos trabalhando a oralidade, mas se o aluno conseguir falar e fazer os sinais, é melhor ainda’’, explica Sônia.
Os integrantes do Coral costumam ficar nervosos antes das apresentações. ‘‘No dia-a-dia são mais soltos, mas no palco procuram dar o máximo de si, eles estão mostrando o que sabem fazer’’, avalia a professora, ressaltando que a recepção do público também é boa: ‘‘Acho que todo mundo gosta, é diferente, as pessoas não estão acostumadas a ver.’’
A X Semana Científica e Cultural do Curso de Fonoaudiologia da Unopar vai até o dia 13. O evento discute o tema ‘‘Prevenção em Fonoaudiologia’’, e traz uma programação variada sobre o assunto, com apresentação de trabalhos e palestras a partir das 8 horas.

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