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Caetano Veloso

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Orlando Silva

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Noel Rosa

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João Gilberto

De repente, a MPB caiu na sopa das letras. Se até pouco tempo penava-se para obter informações de orelha, agora quem quer saber mais sobre a música popular brasileira tem vários livros disponíveis para leitura, consulta e discussão.
Transformada em filão editorial, a MPB viceja em títulos que vão do ensaio à reportagem investigativa e da crônica à documentação histórica. Os lançamentos se sucedem em ritmo frenético, muitos deles sem qualquer divulgação pela imprensa.
Caetano Veloso, com seu ‘‘Verdade Tropical’’, centralizou as atenções no final do ano passado. Mas a vastidão temática inspirou outros autores e variadas abordagens. Só nos últimos cinco meses saíram dos fornos das editoras os volumes ‘‘Tropicália - A História de uma Revolução Musical’’, ‘‘A Canção no Tempo - 85 anos de Músicas Brasileiras / Vol.1’’, ‘‘Música Popular - Um Tema em Debate’’, ‘‘Vida Musical’’, ‘‘Fotografei Você na Minha Rolleyflex’’ e ‘‘Zé Ramalho - Um Visionário no Século XX’’.
E vem mais por aí. Da recente leva, muito se falou do caudaloso relato de Caetano Veloso deixando na sombra os demais livros. Para ficar no tropicalismo, tema-chave no calhamaço do compositor baiano, a passagem de ano viu chegar às livrarias o mais completo e detalhado painel do movimento encabeçado por Caetano e Gilberto Gil.
‘‘Tropicália - A História de uma Revolução Musical’’, de Carlos Calado, recapitula o ambiente cultural e político dos anos 60 descrevendo pormenores das trajetórias dos artistas sem entrar no terreno dos debates teóricos ou reflexão de idéias. Com perfil jornalístico, o livro começa relatando as circunstâncias da prisão dos dois mentores do movimento e fecha com uma breve avaliação da herança tropicalista.
‘‘A tropicália não deixou herdeiros diretos ou eleitos’’ - conclui ele no último capítulo. ‘‘Assim como as inovações musicais introduzidas pela Bossa Nova no final dos anos 50, as atitudes estéticas dos tropicalistas foram herdadas e usufruídas, em maior ou menor medida, por quase todos os artistas que se dedicaram à música popular brasileira durante as últimas três décadas’’.
O livro de Calado integra a coleção Ouvido Musical, da editora 34, dirigida pelo crítico carioca Tárik de Souza. Da mesma coleção, ‘‘A Canção no Tempo - 85 anos de Músicas Brasileiras / Vol.1’’, traz um levantamento das músicas que frequentaram as paradas de sucessos do país de 1901 a 1957.
De autoria dos pesquisadores Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello, o estudo sistematiza a produção musical brasileira a partir das canções que marcaram a memória do País relacionando desde modinhas e lundus de Eduardo das Neves, Cadete e Baiano da Casa Edison às composições pré-bossa nova de Dolores Duran, Luís Bonfá e Antônio Carlos Jobim nos anos 50.
A documentação reúne 1.083 composições brasileiras, das quais 267 recebem comentários. A esse número, somam-se ainda 400 canções estrangeiras que alcançaram sucesso no Brasil. O segundo volume, previsto para ser lançado em julho, vai cobrir o período de 1958 a 1985. De gênero diverso, mas também publicado pela editora 34, ‘‘Música Popular - Um Tema em Debate’’ traz de volta às livrarias os polêmicos argumentos desferidos pelo crítico José Ramos Tinhorão contra o que julgava ser a nefasta influência da cultura norte-americana sobre os ritmos locais.
O livro é uma reedição ampliada da obra lançada em 1966 que provocou celeuma entre pesquisadores, artistas e colegas de metiê. Nas 190 páginas, Tinhorão analisa o surgimento do samba e das escolas de samba, a história e a memória do choro, a música dos barbeiros e das bandas; e, por fim, a Bossa Nova criada, segundo ele, por ‘‘uma camada de jovens da zona grã-fina de Copacabana completamente desligados da tradição’’.
‘‘O aparecimento da chamada Bossa Nova na música urbana do Rio de Janeiro marca o afastamento definitivo de suas origens populares’’ - anota ele. No mês que vem, o crítico lança o volume ‘‘História Social da Música Popular Brasileira’’, já publicado em Portugal e ainda inédito por aqui e no qual traça um panorama da MPB do século XVI até a atualidade.
Citando Tinhorão, o historiador e diplomata Vasco Mariz também escreve sobre a bossa nova em um dos artigos da recém-lançada coletânea ‘‘Vida Musical’’. O livro reúne textos publicados no suplemento Cultura do jornal O Estado de S.Paulo entre 1984 e 1991, além de ensaios e conferências.
No artigo em questão, Mariz se distancia do azedume destilado pelo colega. Referindo-se à Bossa Nova, escreve: ‘‘Não devemos nos penitenciar pelo seu êxito, nem reprovar seus principais líderes. Foi uma experiência válida, sedutora, perigosa e, por que não reconhecer, também gostosa’’. A coletânea traz ainda artigos sobre Carlos Gomes, Mário de Andrade, Ari Barroso, Pixinguinha, Villa-Lobos e outros não menos ilustres.

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