Quando a web reflete e polemiza
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de julho de 2001
Rodrigo Souza Grota De Londrina 
A web tem se mostrado um ambiente adequado para polêmicas. Desde a publicação de textos que não são do autor mencionado (recentemente publicaram um texto que seria de Luis Fernando Veríssimo e outro atribuído a Gabriel Garcia Marquez), até fóruns de discussão, que se constituem cada vez mais. Como o espaço para um site de certa maneira é ilimitado, as discussões encontram um bom ponto para se armazenar homepages totalmente dispostas para o conflito de idéias.
Esse ideal foi um dos motivadores para a criação de www.oindividuo.com, homepage que hospeda idéias e reflexões as mais variadas. Religião, política, filosofia, arte, tudo serve de pauta para jovens adeptos à dialética. A idéia surgiu da publicação de um jornal por grupo de estudantes universitários brasileiros.
Nele, sustentam a visão de que o indivíduo é o sujeito da consciência moral, do pensamento criativo, da inteligência e da emoção. Grupos e associações, por mais desejáveis, práticos ou confortantes que sejam, não eximem o indivíduo da responsabilidade (e do direito!) de exercer seus próprios julgamentos exlicam os estudantes na introdução da página.
O jornal O Indivíduo, em sua versão impressa, havia surgido há quatro anos, como jornal universitário na PUC-Rio, quando um artigo crítico da affirmative action causou polêmica de grande repercussão. Os editores do jornal resolveram criticar um encontro intitulado: A Semana da Consciência Negra e acabaram provocando a revolta da maior parte dos estudantes da PUC. Em seu artigo, eles criticavam o evento por considerá-lo preconceituoso com os próprios negros e propunham a realização de uma Semana da Consciência Branca. Resultado: polêmica na certa e o jornal ganhou a web, obtendo certa relevância.
Depois disso, O Indivíduo adquiriu vida independente, e hoje é uma fonte de informações e opiniões que não costumam ter vez na imprensa brasileira, geralmente habituada ao domínio de esquerdismos, coletivismos, estatismos e relativismos. O conselho editorial é formado por Alvaro Velloso de Carvalho e Pedro Sette Câmara. Mas há muitos colaboradores Sergio Coutinho de Biasi, Paulo Afonso Hernandez, Diogo Rosas Gugisch e Joel Nunes dos Santos.
Entre os colunistas, os mais interessantes são Álvaro de Carvalho e Pedro Sette Câmara. Álvaro realiza uma entrevista ficcional com o cineasta Gustavo Dahl típica da época áurea de Nelson Rodrigues. Câmara analisa como nenhum outro crítico observou as diferenças e semelhanças entre Central do Brasil, de Walter Salles, e A Vida É Bela de Roberto Begnini. Conclui que o filme de Walter Salles é uma obra realizada por um rico sobre pobres, para a classe média ver. Já imaginou esta consideração publicada em um jornal de grande circulação nacional?
Há outros links interessantes, como o da Idiotice da Semana (que tem o jornalista Cláudio Clodovil como hors concours) e o de Matérias Especiais. A seleção de outros sites com noticiários e comentários também é muito valiosa, com gratas surpresas. Mas o grande atrativo da homepage é ter acesso a vozes distantes da mídia e que têm coragem de enfrentar o discurso politicamente correto dos dias atuais que prefere a conivência à polêmica, a adulação à dialética, a estagnação ao progresso de idéias. Ainda bem que existem indivíduos em busca do livre pensar...
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