Famílias aparentemente felizes, como aquelas retratadas em comerciais de margarina na televisão, podem esconder dramas inconfessáveis entre as quatro paredes da casa.
O espetáculo ''Quando esquecemos quem somos'', que estreia neste fim de semana em Londrina, aborda a violência doméstica - uma realidade experimentada em muitos lares, sufocada pelo medo e às vezes - quando denunciada - pela impunidade.
A peça será apresentada amanhã, sábado e domingo, sempre às 20h, com entrada gratuita, no Circo Funcart. A montagem é de alunos da Escola Municipal de Teatro, com direção de Silvio Ribeiro e texto de Francismar Lemes. Foi criada a pedido da Secretaria Municipal de Assistência Social para o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, celebrado na semana passada.
''Apresentamos para um grupo de crianças, jovens e mulheres atendidos pelo órgão e percebemos que a peça foi bem recebida, embora fosse uma plateia com pouco ou nenhum contato com teatro. Com essa boa aceitação, decidimos dar mais vida à montagem e mostrá-la para toda a comunidade'', explica Ribeiro.
O enredo focaliza a constituição de uma família tradicional a partir do namoro seguido de casamento e formação do lar com suas conquistas materiais, a chegada dos filhos e o relacionamento com a vizinhança. O idílio romântico, porém, oculta mazelas que surgem em seu interior à medida que os personagens vão revelando suas facetas monstruosas. É quando a violência se instala dentro da família trazendo o terror e a angústia de vítimas que se sentem incapazes de externá-la.
''Quando esquecemos quem somos'' é o terceiro texto de Lemes para teatro. ''Mas os dois anteriores foram muito amadores. Considero este o primeiro pra valer'', diz ele, que é jornalista. O autor conta que conversou com o elenco antes de escrevê-lo. ''Queria saber o repertório deles sobre o assunto para depois elaborar a dramaturgia'', salienta.
Apesar de abordar um tema ''pesado'', ele ressalta que procurou trabalhar as situações de ''uma forma mais leve'' sem deixar de questionar o problema. ''As pessoas vão ao teatro para refletir, mas também para se divertir'', lembra.
Ribeiro, por sua vez, explica que ''foi um desafio'' encenar um tema tabu com um elenco jovem - dois adultos convidados (Ana Carolina Di Giorgi e José Motta) e outras 11 crianças e adolescentes. ''Criamos metáforas e situações para atingir essa leveza'', afirma.
Ana e Motta, que formam o casal da peça, ajudaram nos laboratórios para a discussão do tema e construção dos personagens. Ela é psicóloga e atriz formada pela Escola Municipal de Teatro, enquanto ele é ator e trabalha na EMT. De acordo com o diretor, Ana colaborou na análise das cenas e no tratamento dos diálogos, e Mota treinou o elenco na técnica da manipulação de bolas de contato, um aparelho utilizado em números de malabares em espetáculos circenses.
Além dos dois convidados, participam da peça Beatriz Gaiguer, Christian Fernandes, Christopher Fernandes, Diego Henrique dos Santos, Filipe Garcia, Isadora Borian, Kelvin Fernando de Melo, Larissa Azevedo, Manu Garcia, Pedro Lima e Vitor Lafranchi. Os figurinos são de Ana Carolina Ribeiro.

Serviço:
- Espetáculo ''Quando esquecemos quem somos'' com alunos da Escola Municipal de Teatro
Quando - Amanhã, sábado e domingo às 20h
Onde - Circo Funcart (Rua Senador Souza Naves, 2380), em Londrina
Quanto - Entrada franca
Informações - (43) 3342-2362

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