Na entrada do estacionamento, os carros são obrigados a parar. Mesmo quem vai apenas buscar um amigo ou reservar uma passagem tem o seu veículo cuidadosamente revistado. Desde os atentados de 11 de setembro, o Aeroporto Internacional de Miami (MIA) se transformou em uma trincheira.

Nenhum automóvel entra sem a revista. Nos saguões, centenas de integrantes da Guarda Nacional garantem a segurança armados com fuzis e metralhadoras. A visão é assustadora para quem chega. Pelos corredores, cães farejadores tentam encontrar bombas e, à paisana, policiais vigiam os movimentos de funcionários e frequentadores.

Os passageiros precisam ter paciência. Muitas vezes, as malas são abertas no check-in. No embarque, todos os computadores são revistados e qualquer objeto de metal precisa ser retirado: até cartelas de remédios e calçados que tenham ferrinhos. Eles são confiscados para averiguação e é comum ver cenas de viajantes correndo descalços atrás de seus sapatos.

Se o destino do avião for o Aeroporto Nacional de Washington, os passageiros precisam de ainda mais paciência. Nos últimos 20 minutos de vôo é proibido que eles se levantem das cadeiras. ''Se alguém se levantar, o avião é imediatamente desviado para outro aeroporto e o viajante vai para interrogatório no FBI'', conta o diretor-assistente de aviação do MIA, Bruce Drum.

Desde o 11 de setembro, a Agência Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos obriga todos os aeroportos do país a seguirem uma extensa lista de regras de segurança. Uma das exigências é justamente a obrigatoriedade de os passageiros a caminho da capital permanecerem em suas cadeiras. Outra é o aumento de policiamento dentro dos aviões. ''Temos policiais à paisana em vários vôos. Todos que vão para Washington, por exemplo, levam agentes disfarçados e armados.''

A inspeção de todos os veículos que entram na área das pistas dos aeroportos é mais uma nova regra. Para ele, a segurança de qualquer local depende tanto de equipamentos de última geração quanto de segurança bem treinada. ''Esta é a combinação correta porque quando uma das partes falha, a outra cobre.'' Os funcionários do aeroporto, conta, são treinados segundo os princípios israelenses. ''Eles observam tudo, fazem perguntas e prestam atenção à reação das pessoas. Assim, as chances de sermos surpreendidos diminuem.''

Aumentar a segurança e continuar preservando a liberdade, no entanto, não é tarefa simples, garante Drum. ''É difícil para nosso país, que prima pela liberdade, manter esta segurança sem ferir os direitos humanos, mas tudo isto é necessário.''

Ele acredita que os norte-americanos colaboram com as novas regras porque também anseiam por este controle. ''Eles querem se sentir mais seguros e temos de recuperar a confiança da população neste novo mundo'', diz. ''Para isto, pedimos a cooperação dos passageiros porque tudo tem de ser vistoriado.''

Antes dos atentados, 100 mil pessoas passavam por dia no MIA e ocorriam de 1.400 a 1.500 pousos e decolagens. ''Agora, sofremos uma redução que varia de 20% a 25% no número de passageiros e de 15% a 18% em pousos e decolagens.'' Cerca de 40 mil funcionários também trabalham no local. (D.T./AE)

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