Quando a Amazônia faz a festa
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de junho de 2000
Da Redação 
Festival Folclórico de Parintins é considerado uma das maiores manifestações culturais do mundo. Cidade fica dividida entre o azul e o vermelho dos bumbás
Na década de 90 a Amazônia fez ecoar um som que saiu da floresta e se estendeu pelo mundo afora. No ritmo das toadas de boi, músicas com balanço diferente (que não samba, pagode e axé music) surpreenderam o Brasil, e, num segundo momento, conquistaram simpatia pela Europa a partir da França.
O estado do Amazonas fez nascer a paixão pelos bois Garantido e Caprichoso. No mês de junho, o Festival Folclórico de Parintins recebe turistas de todos os cantos do Brasil. Na arena modernamente montada pelo poder público, o folclore do norte brasileiro tem a chance de se mostrar para o mundo. Mesmo em Parintins, no interior amazonense, com uma população de cerca de 70 mil habitantes. A cidade é invadida por um público sedento por cultura e festa, muita festa.
O Festival Folclórico de Parintins espetáculo regado a muita música, cores e luzes acontece na última semana de junho. O auge da festa dá-se nos últimos dias (28, 29 e 30), quando a cidade mostra-se dividida entre as cores azul e vermelho dos Bumbás Caprichoso e Garantido. O resultado de meses de trabalho e dedicação é mostrado em apenas três horas por noite, mas enche os olhos não só dos visitantes, mas também dos próprios habitantes do local.
A apresentação começa com um show pirotécnico e prossegue ao som das baterias compostas por 600 pessoas cada uma. Figuras gigantescas surgem a qualquer momento e de qualquer parte do bumbódromo. Na arena, o grande palco da festa, desfilam figuras saídas do imaginário caboclo, como o Gigante Juma e a Cobra Grande, por exemplo.
Mas engana-se quem imagina um festival composto apenas por lendas e mitos. Há também encarnações do ribeirinho, do pescador, do seringueiro, enfim, do homem amazônico. O momento mais esperado das festividades é o dos rituais indígenas, quando dezenas de tribos participam com diversos tipos de vestimentas e pinturas pelo corpo. Ao todo, cada agremiação traz cerca de 5 mil componentes.


