Qualquer semelhança não é mera coincidência
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de maio de 2009
Fernanda Brambilla<br> Agência Estado 
O cinema brasileiro encontrou um novo caminho: a cinebiografia. Contar histórias reais na telona tem se mostrado uma aposta certeira dos cineastas, enchido as salas de exibições e motivado novas produções.
Exemplos não faltam. Com estreia marcada para junho, ''Jean Charles'', o longa que retrata a vida do brasileiro assassinado pela polícia de Londres, em 2005, encabeça a fila das biografias filmadas que estão por vir. Uma fila longa, que ainda conta com a da ex-garota de programa Bruna Surfistinha, do jogador corintiano Ronaldo, do cantor e político Frank Aguiar, da assassina Suzane Von Richthofen, da cantora Cássia Eller, de Jânio Quadros, de Lula...
''É uma tendência que vem funcionando e prova que o público está mais interessado no próprio País'', diz Fábio Barreto, que finaliza ''Lula, o Filho do Brasil''. Previsto para estrear em janeiro de 2010, o filme não terá nada de política. ''Será uma história de um filho e uma mãe e fala de superação de perdas.''
Já Henrique Goldman, diretor de ''Jean Charles'', usa o apelo do caso verídico para reforçar o tom de denúncia. ''A ficção tem que dar provas de ser verdadeira. Já a realidade, por mais absurda, é a prova da própria existência. Todo filme, baseado ou não na realidade, é um mundo com regras próprias, em que o espectador aceita viver por um determinado tempo.''
Foi a perplexidade com um crime longe do convencional que levou a produtora Ana Paula Sant'Anna a mostrar a vida de Suzane Von Richthofen, condenada por comandar o assassinato dos próprios pais, em 2002. ''Quando soube dessa história tão complexa, logo me ocorreu: isso daria um filme''. Ana comprou os direitos do livro ''O Quinto Mandamento'', de Ilana Casoy e viverá ela mesma a protagonista.
Superar ''Pelé Eterno'' é a meta do Corinthians para 2010, quando começará as negociações para o longa sobre Ronaldo.
Quem já provou o gosto de ter uma trama verídica fazendo sucesso no cinema quer repetir a dose. Depois de atrair mais de 5 milhões de espectadores com ''2 Filhos de Francisco'' - que conta a trajetória da dupla Zezé di Camargo & Luciano -, Breno Silveira estava decidido a fazer uma coisa bem diferente, até que uma fita sobre a vida de Gonzaguinha caiu em suas mãos. ''Foi meio sem querer e eu me encantei.'' Ele admite que o filão é de fato promissor: ''A história verídica cria uma relação muito forte com o público.''
A moda das biografias também voltou a rondar Sandra Werneck. Após ''Cazuza'', a cineasta flerta com um projeto parecido, focando a igualmente polêmica Cássia Eller, morta em 2001. ''Quero mostrar a vida dela além do mito.'' Para Sandra, o sucesso desse tipo de filme tem uma razão simples: a curiosidade. ''Brasileiro adora falar da vida dos outros, para o bem e para o mal.''


