Curitiba Depois de dez lançamentos de 1998 a 2000 a revista Medusa se transforma num selo editorial e lança dois livros simultaneamente. Os primeiros títulos ''Capimiã'', de Jairo Pereira e ''Lascas'', de Ricardo Carvalho fazem parte da coleção Ruptura Réptil, que o selo pretende editar ao longo do próximo ano. Os dois primeiros livros ganham lançamento em grande estilo, hoje, acompanhados de uma série de manifestações pós-modernas no Cine Música Bar, em Curitiba.
A proposta do selo nasce como uma ''idéia utópica'', como admite o criador da antiga revista, Ricardo Corona, mas por isso mesmo necessária. ''A revista comprovou a eficácia do trabalho de mostrar novos nomes da literatura, cinema e artes plásticas'', conta. Apesar de uma distribuição tímida, a Medusa ficou conhecida internacionalmente e ganhou repercussão nos Estados Unidos, Argentina e México. A revista mostrava um trabalho gráfico primoroso e um conteúdo de fazer inveja a periódicos nacionais.
Mas um dos desafios enfrentados na sua edição era justamente a distribuição. ''Se lê muito pouco poesia no Brasil e isso desencadeia diversos subproblemas'' argumenta Corona, complementando que ''se a poesia não vende, o livreiro não se interessa''. Mas o poeta e escritor ''dono'' do novo selo editorial não de deu por vencido e decidiu combater o problema com uma projeto intencionalmente mais grandioso. ''A revista me deu um cadastro que vai beneficiar a distribuição dos livros pelo selo'', diz, em contrapartida ao possível desafio semelhante ao enfrentado pela revista e que vem pela frente.
Corona observa que não encara o selo editorial como um projeto dentro do sistema. ''O objetivo é ampliar o público interessado em poesia'', enfatiza. Para ele, esse público existe, mas é difícil de ser identificado. Mas há solução. O mercado cultural atual, na opinião de Corona, está propício para novos (e principalmente independentes) lançamentos. ''Acho que o que aconteceu com o Lobão, que lançou um disco independente das gravadoras, é um bom exemplo da revolução que o mercado está passando'', opina o poeta.
É nesse ritmo, de apostas na vitalidade do que é novo, que Corona lança o selo editorial Medusa. ''Queremos trabalhar com a poesia contemporânea sem abrir mão da qualidade'', diz. ''Tem muita gente fazendo coisa boa, mas as grandes editoras não dão espaço e preferem apostar em nomes mais conhecidos''.
O selo de Corona pretende andar na contramão dessa vertente e os primeiros livros mostram essa tendência. ''Lascas'' é o primeiro livro do publicitário Ricardo Schmitt Carvalho, de 36 anos, e traz uma série de poemas produzidos entre 1992 e 2002. Carvalho é roteirista e redator de publicidade. Traduziu poemas de Duda Machado para o inglês (''Desencontrários - 6 poetas brasileiros'', 1995) e realizou documentários e poesias em vídeo. Recentemente teve um clipoema selecionado do 2º Concurso Clipoemas do Perhappiness.
Jairo Pereira é velho conhecido na literatura. Já escreveu e editou vários livros, como ''O artista de quatro mãos'' (contos, 1992); ''O antilugar da poesia'' (manifesto e poesia, 1995) e ''O abduzido'' (romance, 1999). Este ano teve seus poemas publicados no livro ''Passagens - antologia de poetas contemporâneos do Paraná'' (Imprensa Oficial do Paraná, 2002).
Na orelha do livro, um texto assinado por Corona, resume o conteúdo da obra: ''Capimiã, neologismo popular de 'capim-milhã' (planta conhecida no Sul do País por ser uma vegetação abundante e invasora das plantações), não poderia ser melhor título para um livro-poema que tem os méritos de avançar por conteúdos outros daqueles ditos literários e ameaçar a bem-comportada fronteira entre poesia e prosa''.
Os dois livros serão lançados no Cine Música Bar, hoje, em festa que traz projeção de vídeos, exposições, shows de Rogéria Holtz e banda e Vadeco e os Astronautas, leitura de poemas e performances. Os próximos lançamentos do selo editorial Medusa já tem nomes agendados das poetas Luciana Martins, Sabrina Bandeira Lopes, Marcelo Sandman e Luiz Felipe Leprevost e devem ser editados no próximo ano.
Serviço:
Lançamento dos livros ''Capimiã'', de Jairo Pereira e ''Lascas'', de Ricardo Carvalho, primeiros títulos do selo editorial Medusa. Hoje, às 20 horas, no Cine Música Bar (Rua João Gualberto, 81), em Curitiba. Entrada franca.

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