Qual é o preço justo de uma música?
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Marco Bezzi<br> Agência Estado 
Elas surgiram como capim em uma terra que parecia de ninguém, prontas para serem baixadas sem custo nem constrangimento. A indústria da música gritou e as restrições à farra dos downloads chegaram. Sites fanfarrões tiveram de entrar nos eixos em nome do direito autoral e baixar música de graça deixou de ser aquela festa da uva.
O segundo capítulo dessa saga começa aqui. A mesma indústria que estancou a sangria dos downloads gratuitos deve respostas aos fãs que, ok, querem pagar para ouvir seus ídolos. Afinal, qual é o preço justo de uma música?
O empresário da cantora Mallu Magalhães, Rafael Rossatto, encomendou uma pesquisa ao Ibope, ainda inédita, que traz números curiosos. ''O jovem quer que uma música custe no máximo R$ 1,30 na internet'', diz ele.
Das poucas lojas que vendem música digital no Brasil, a Nokia Store é a que tem o maior acervo, com 6 milhões de faixas. Cada uma sai por R$ 2,50. Se fosse comparar o serviço com um CD de 15 músicas, o preço seria R$ 37,50. Sem encarte nem caixinha.
O empresário João Augusto, da Deckdisc, reconhece: ''Por mais incrível que possa parecer, a venda digital remunera muito mais do que o comércio tradicional.''
Se é assim mesmo, alguém está dormindo no ponto. O fato é que ainda há poucas lojas e alternativas para quem gostaria de comprar canções pela internet.
Alheios à discussão de quanto vale o som, artistas independentes resolveram disponibilizar suas músicas gratuitamente. ''Estou procurando parceiros para conseguir disponibilizar conteúdo gratuito, mas patrocinado, no meu site. Em um país em que o salário mínimo não chega a R$ 500, um CD não pode custar R$ 30'', pondera a cantora Pitty.
Sua posição ganha ressalvas. ''Artista que coloca música de graça na internet é um estúpido'', fala o produtor Rick Bonadio, responsável por sucessos como NX Zero e Fresno. ''Nenhuma gravadora grande vai investir em novos artistas. É uma coisa catastrófica.''
Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD), 15% dos R$ 337 milhões arrecadados em 2008 vieram da música digital. Desses, 78% só do que foi consumido em celulares.
Até mesmo os Beatles disponibilizaram seu conteúdo para a loja iTunes Store e lançaram um pen drive com os 14 álbuns de carreira da banda remasterizados. Já o Radiohead colocou seu último CD, ''In Rainbows'' (2008), na web para que o consumidor pagasse quanto quisesse.
Mesmo assim, Mallu Magalhães acaba de trocar a condição de queridinha da web por um bom contrato com a Sony Music. ''Por mais que um músico seja independente, ele anseia sempre por um contrato com gravadora.'', garante João Augusto. Bonadio concorda: ''Ser independente não leva a lugar nenhum no Brasil''.


