Todo mundo tem uma roupa de domingo. E não se trata apenas da roupa de ir à missa, como antigamente. Hoje, a roupa de domingo pode ser a camiseta velha e confortável, o bermudão de ir ao churrasco, o biquíni para exibir no clube, o pijama que você só tira ao final da manhã, a camisa do time do coração ou um delicioso vestido florido.
A exposição ''Roupa de Domingo'', que permanece até o dia 30 no espaço de exposições do Catuaí Shopping, veio justamente incitar essa reflexão, despertando a memória e ressaltando a poesia desse modo particular de se vestir que vai além dos limites do consumo de moda. ''Vestir-se não é mais uma forma de diferenciação de classes sociais, agora é uma demonstração de identidade. É mais um prazer pessoal do que ostentação'', analisa Fernando Zelman, um dos curadores.
E nada melhor para retratar essa forma de expressão pessoal do que através da arte. Por isso, a mostra reúne roupas, esculturas, fotografias, objetos, grafites e pinturas, explorando as inter-relações entre moda, design, fotografia, artes plásticas e outras linguagens. ''Cada um tem uma memória diferente da sua roupa de domingo. Assim, cada artista apresenta sua visão'', explica o curador.
Ao todo, são 28 trabalhos de 23 artistas. Há nomes conceituados como o artista multimídia Angelo Palumbo, que trabalhou com caixas de sucrilhos; o historiador de moda João Braga e suas camisetas bordadas à mão e assinadas; a fotógrafa Fifi Tong (que entre outros já fotografou para o catálogo da Pirelli, e na mostra traz uma imagem impressa em algodão), o fotógrafo de moda Rogério Cavalcanti e a holandesa Carmen Van Der Vetch. Mas a mostra traz também novos expoentes das artes visuais, como Carolina e Isadora Krieger, que confeccionaram um vestido a partir de cortina de box de banheiro e fotografaram; Cecília Vilela e suas memórias familiares em patchwork e Alex Orsetti, com uma aquarela com o sugestivo título ''Corinthians 2 - 1 Flamengo''.
''Roupa de Domingo'' é um projeto da Galeria Central de São Paulo, que visa promover a cidadania e a democratização da informação, rompendo os limites do eixo Rio-São Paulo. Esta é a quinta edição, e a primeira vez em que a exposição é realizada em um shopping center. ''A ideia é justamente de descentralizar, trazendo à cidade grandes nomes das artes visuais e da moda a que as pessoas dificilmente teriam acesso'', comenta o artista plástico e também curador Danilo Blanco, lembrando que as pessoas raramente vão às galerias de arte. ''E no shopping as pessoas comuns não ficam com vergonha ou receio de não entender; elas ficam mais à vontade para apreciar'', complementa Zelman.
De Londrina, o projeto retorna para a capital paulista e depois segue para Portugal. Lá, os curadores planejam inserir algumas produções londrinenses. ''Londrina tem a melhor faculdade pública de moda do País, e nós queremos ampliar o diálogo e promover o intercâmbio com o meio acadêmico'', justifica Zelman. Os organizadores também pretendem lançar um livro sobre esse trabalho.

Serviço
- No Catuaí Shopping até o dia 30 de setembro, das 10h às 22h de segunda a sábado e das 12h às 20h aos domingos.

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