Quadros a óleo na pista da rave
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de setembro de 1998
Zeca Corrêa Leite 
Exposição de arte numa danceteria, para quem vai curtir som techno. O local é o menos provável, mas é isso o que vai acontecer na Rave Night Club, em Curitiba, a partir de hoje, até 3 de outubro. Quem quiser apreciar os nove quadros de Marcelo Parciornik, enfeixados sob o título Vórtice, terá que ir à Rave na madrugada. Mais exatamente das onze da noite às cinco da manhã, ou melhor, durante o expediente da casa. A exceção acontece hoje, com o vernissage marcado para as 21h30.
O que será essa exposição, num espaço inteiramente novo, nem o artista, nem Gustavo Conti, um dos donos da casa, sabem responder. A proposta é clara - levar a arte para um público que se imagina pouco afeito a frequentar galerias. Sou aberto a esses lances, diz Gustavo.
Acolher na boate a sensibilidade traduzida em quadros é um fato. O outro, mais prático, é uma cartada para a conquista de um novo tipo de clientela. Eu sei onde quero chegar, afirma o jovem empresário Conti. E exemplifica dizendo que assim como se preocupa com a qualidade do som apresentado, também na arte buscou o que julga ser o melhor.
Assim como tem muito lixo musical rolando por aí, o mesmo acontece na pintura. Gustavo conta que traz para sua boate lançamentos e tendências que ainda não aportaram no Brasil. Então por que não inovar colocando uma tela na pista (as demais ficarão no restaurante), com um artista de real valor? Foi aí que o empresário escolheu Paciornik.
Por serem amigos de infância, as más línguas poderiam destilar que a amizade abriu as portas da casa, mas o dono da Rave descarta laços afetivos. Este é mais um evento para a casa. Pega um pessoal mais exigente, dá mais credibilidade e quero atingir uma faixa mais adulta, explica.


