O essencial quase nunca é aparente. Não só no espetáculo de teatro e mágica da companhia de Philipp Boe ''Mémoire de La Nuit'', da Suíça, como também na vida. A peça que estreou domingo no 39º Festival Internacional de Londrina (FILO) terá mais duas apresentações hoje a amanhã, às 19 horas, no Teatro Zaqueu de Melo.
Quem assistiu à estréia ficou em dúvida e intrigado com os truques que o ator Philipp Boe realiza em cena. Mais do que uma exibição da arte do ilusionismo e da habilidade do artista em enganar os olhos, a peça é uma metáfora sobre situações com as quais o público acaba se identificando.
''Mémoire de La Nuit'' é uma metáfora para algumas coisas que se perdem, quando nada é o que parece. Boe atuou como malabarista por 10 anos, estudando no Centre for Circus Skills and Physical Theatre em Bristol, Grã-Bretanha, no Laban Centre for Movement and Dance, em Londres, e na Ecolle Philippe Gaulier, na França, mas os truques de mágica que faz no espetáculo foram aprendidos quando dirigiu um show de mágica.
''Tive que aprender todos os números de mágica para usar na peça'', explica o ator/manipulador.
Com o mundo do pintor francês René Magritte (1898-1967) nas mãos, um dos pais do surrealismo e que criou uma obra por causa de um trabalho de pesquisa não pelo prazer de pintar, Boe vai dando vida a objetos, que parecem que se movimentam sozinhos.
No palco são recriados elementos das pinturas de Magritte. A sensação que causa no público é de que esteja diante de um quadro em constante transformação.
''Magritte pintava de um jeito teatral e os objetos que ele criava estão na peça'', afirma Boe, lembrando que o artista costumava dar outro nome aos objetos que pintava, sendo que um sapato poderia se transformar na lua.
O pintor gostava muito de histórias de suspense e mistério e Boe parte daí para contar várias histórias, como a de de um detetive que recebe a notícia sobre o desaparecimento de uma mulher, começando a investigar o caso.
As histórias são a plataforma para uma viagem por sonhos e a imaginação, que deixam o público envolvido em dúvida, acreditando que a a realidade pode ser ilusão.

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