Quadro de Tarsila inspira cenário
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terça-feira, 18 de abril de 2017
Ubiratan Brasil<br>Agência Estado 

Pintado em 1933 por Tarsila do Amaral, o quadro "Operários" representa a quantidade e a variedade racial das pessoas que trabalhavam nas fábricas que começavam a surgir nas capitais brasileiras, especialmente São Paulo. As expressões são sérias, sem nenhum sorriso, forma de a pintora revelar a árdua tarefa assumida pelos trabalhadores.
A obra foi uma das que inspiraram o conceito do cenário e dos figurinos de "Bem Sertanejo - O Musical". "Como a peça conta a história do sertanejo a partir de sua raiz, pensei de imediato em Tarsila, que sempre valorizou a cultura do interior do Brasil de uma maneira muito plástica, colorida e moderna", explica o cenógrafo Gringo Cárdia.
Para criar a estrutura do musical, o pesquisador André Piunti e o diretor e roteirista Gustavo Gasparani pesquisaram em diversos livros, além de inúmeras canções, um trabalho que durou cerca de dois anos.
"Na peça, há trechos de uma letra de Mário de Andrade, da canção "Viola Quebrada", que surgem como versos declamados", explica Gasparani, que utilizou também uma pequena obra-prima, os versos que Manuel de Oliveira escreveu para "Azulão" e que foram musicados por Jaime Ovalle. Outra obra inspiradora foi "Trenzinho" Caipira, composta por Heitor Villa-Lobos e que é parte integrante da peça Bachianas Brasileiras nº 2.
"Os modernistas tiveram uma ação decisiva para ajudar a elite brasileira a reconhecer as riquezas do nosso povo", continua Gasparani. "Isso logo inspirou a dramaturgia. Quando o texto foi lido pelo Gringo e por Marcelo (Olinto, o figurinista), eles não tiveram dúvidas em relação às referências. Tanto que, na reunião para mostrar a estética, Gringo logo apresentou a ideia de usar o quadro da Tarsila. Fiquei impressionado."
Já o figurinista Olinto se baseou, além dos quadros de Tarsila, também nos de Almeida Júnior, pintor paulista cuja obra foi marcada pela aproximação realista ao cotidiano do homem do interior sem o filtro das fórmulas universalistas da pintura acadêmica. O resultado são quadros como "Caipiras Negaceando" (1888) e "Caipira Picando Fumo" (1893). (U.B.)


