Rio, 08 (AE) - O pintor Cícero Dias fez bonito no terceiro e último leilão da Bolsa de Artes deste ano, ontem (07)
no Copacabana Palace. Seu quadro "Nostalgia", um óleo sobre tela reproduzindo uma roda de choro suburbana, alcançou o maior preço da noite. Foi vendido por R$ 196 mil , num pregão em que, de 148 lotes de pinturas, desenhos e esculturas, 20 não alcançaram o preço mínimo.
Mesmo assim o presidente da da Bolsa de Artes, Jones Bergamin, considerou o resultado "espetacular, até surpreendente", pois apenas 10% das obras expostas não foram vendidas, porque seus proprietários não quiseram baixar o preço. Surpresa mesmo foi o preço de uma aquarela e um guache de Antônio Bandeiras que, em venda casada, alcançaram R$ 4.500, quase metade do preço mínimo, o que causou o comentário até do leiloeiro Evandro Carneiro: "Está barato demais."
Se Cícero Dias fez bonito, Antônio Dias e Di Cavalcanti não fizeram feio. Di tinha 11 obras nesse leilão, mas foi um desenho dele, um retrato de Mário de Andrade, que foi vendido por mais que o dobro do preço máximo estipulado. O lance máximo foi de R$ 20 mil, enquanto seu proprietário pedia até R$ 12 mil. "Essa é uma tendência do mercado, que está valorizando, cada vez mais, os desenhos", explicou Bergamin.
Já Antônio Dias teve um óleo e tinta plástica sobre madeira, sem título, de 1967, vendido por R$ 175 mil. "Foi o maior preço que ele já alcançou até hoje", lembrou o presidente da Bolsa de Artes. Outros pintores dos anos 60 também tiveram bom desempenho. O quadro "A Ditadura das Coisas", de Rubens Gerchman, por exemplo, oferecido por, no máximo R$ 20 mil, saiu por R$ 28 mil.
Apesar de ser um leilão sem preços altos, em que o quadro mais caro era o óleo sobre madeira Ouro Preto", de Guignard, oferecido por no máximo R$ 200 mil (e vendido por R$ 165 mil), pelo menos dez quadros não passaram do preço mínimo (além dos outros 20 que nem a isso chegaram). Entre eles estavam dois desenhos de Di Cavancanti e uma escultura de mármore, de Bruno Giorgi.

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