Curitiba - ''Hellblazer'' sofreu no Brasil com a censura no começo dos anos 90, quando a Abril trouxe o arco ''Hábitos Perigosos'' para o Brasil. À época, alguém da direção não teria gostado de um dos demônios (Azazel, o transmorfo) ter se transfigurado em Jesus Cristo, enquanto Constantine tentava o suicídio. ''Vertigo'', que reunia material de Hellblazer e ''Sandman Mistery Theatre'', acabou tendo então vida curta, apenas 12 edições.
Mas isso não desanimou os fãs e nem mesmo as empresas nacionais, que continuaram publicando o material - muitas vezes de forma irresponsável e irregular - até o ano passado, com a falência da Brainstore. Baseado no visual do cantor Sting, John Constantine, apareceu como um coadjuvante pra lá de carismático, através de seu pai, Alan Moore, na revista ''Saga of the Swamp Thing nº 37'', em 1985.
Inglês, anti-herói, viciado em cigarro e bebida, Constantine sempre ficou marcado pelo humor negro, com sua camisa e gravata amassados e um sobretudo típico dos detetives noir. O personagem ganhou título próprio em 1988, com ''Hellblazer'', que, juntamente com ''Monstro do Pântano'' e ''Sandman'', dariam início ao universo dos quadrinhos adultos da DC Comics, o selo Vertigo.
A fase mais lembrada do personagem faz parte do arco ''Hábitos Perigosos'', que inspira boa parte do filme. Constantine está morrendo devido a um câncer de pulmão e tem pouco tempo de vida. Sem ajuda, ele corta os pulsos e vende a alma à dois ''maiorais'' do inferno, que começam a brigar com Satanás para ter a posse de seu espírito. Dispostos a evitar uma briga maior, o que daria a tão sonhada vitória ao céu, Satanás, Belzebu e Azazel acabam curando o inglês até encontrar uma solução para o dilema. Como gratidão, Constantine, curado, deixa apenas o ''dedo do meio'' para os medonho trio.

mockup