Quadrinhos à
margem das bancas
Grandes editoras continuam ignorando os autores nacionais, que publicam suas histórias em fanzines e revistas de circulação limitada
Nelson Sato

Cesar AugustoOs lançamentos alternativos: razoável panorama da HQ pátriaQuantidade e qualidade já povoam as bancas em mais uma reviravolta no mercado das HQs. Novas revistas de e sobre quadrinhos voltam a disputar espaço nas prateleiras revitalizando um gênero que andava à míngua e restrito à publicação de super-heróis e personagens infantis.
Na onda, os autores brasileiros começam a desengavetar suas histórias por editoras emergentes, embora continuem ignorados pelas graúdas Abril Jovem e Globo. No ano passado, a editora Heavy Metal lançou uma edição da revista homônima só com artistas nacionais.
Na próxima semana sai o primeiro número da revista ‘‘Metal Pesado’’ revelando mais uma leva de criadores - entre eles, os curitibanos Nilson Miller, Theo e Antonio Éder. A maioria dos artistas, porém, continua escoando seus trabalhos pelas publicações independentes de tiragem limitada.
Super-herói A revista Graffiti, editada em Belo Horizonte (MG), paira acima da média com um invejável tratamento gráfico. Ainda que abra suas páginas para outras linguagens artísticas e até para a fusão delas, o grosso do material publicado é de histórias em quadrinhos.
A segunda edição reúne uma pá de artistas (Marcelo Garcia, Ebbeto, André Kitagawa, Silvia Amélia etc). Inclui uma matéria sobre a trajetória de Andrea Pazienza, expoente dos quadrinhos italianos de vanguarda e que morreu com apenas 32 anos em 1988.
Também de Belô, a revista Solar incursiona pelo universo dos super-heróis apresentando a saga de um fotógrafo de jornal que repentinamente se vê dotado de poderes indestrutíveis e capacidade de voar. Com roteiro de Wellington Srbek e traços de Ricardo Sá, a aventura foi apresentada ao público numa série de sete edições, cuja publicação só foi possível graças à Lei de Incentivo à Cultura da prefeitura local.
Aids Prova de que Minas Gerais é um celeiro de publicações alternativas, o fanzine Putz! sai da cidade de Manhuaçu com sua terceira coletânea de quadrinhos. Desta vez, reúne nomes conhecidos dos subterrâneos da HQ nacional - como Henry Jaepelt e Luciano Irrthum - ao lado de gente nova e do já célebre cartunista e chargista Quinho - este em entrevista.
No Paraná, a revista curitibana Wacqjada não deixa o nível cair ao longo de suas páginas xerocadas. Com capinha colorida, reúne seis HQs e um artigo que analisa o erotismo nas revistas masculinas dos anos 70. A primeira HQ, de autoria de Luciano Lagares, destaca-se equilibrando imaginação e didatismo ao colocar o vírus da Aids como principal personagem da história.
Panorama Com pinta cyberpunk, o zine Roll City Billy é o representante gaúcho da fornada. Editado em Pelotas, traz uma saga com a personagem ‘‘Kora’’, uma anti-heróina futurista lésbica, sadomasoquista e assassina que habita há mais de dez anos as aventuras criadas pelo editor Dikos G.
Todos esses títulos circulam à margem do grande público. Com maior ou menor criatividade, fornecem um razoável panorama do traço independente verde-amarelo.

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