Curitiba - Será que existem personagens ruins ou apenas maus escritores? A questão é levada em consideração pelo editor Leandro Luigi Del Manto, no prefácio do encadernado de ''Supremo'', que chega ao Brasil pela Devir justamente na fase de reformulação do bastante conhecido Alan Moore, autor de nada menos que ''Watchmen'', ''V de Vingança'', ''Lost Girls'', ''Liga Extraordinária'', entre outros clássicos instantâneos de nossa querida arte sequencial.
Nas últimas três décadas, um fator em especial foi o termômetro para medir o quanto um roteirista pode ser considerado consagrado no milionário mercado norte-americano de quadrinhos: a capacidade de tirar leite de pedra, transformar lixo em ouro, pegar um personagem rídiculo e empoeirado, de quinta categoria, e transformá-lo em um protagonista aceitável.
Neil Gaiman, com ''Sandman''; Grant Morrison com ''A Patrulha do Destino'' e ''Os Sete Soldados da Vitória''; Frank Miller com o ''Demolidor'' em fase ruim nos anos 80; Brian Michael Bendis, com os ''Vingadores'', que vinham mal das pernas há anos e hoje lideram o ranking de revistas mais vendidas, entre outros, só para ficar em uma lista curta. Alan Moore talvez seja o especialista nesse quesito e por isso o que fez em ''Supremo'' é digno de aplausos.
Primeiro porque Supremo é criação de Rob Liefield. Para bom entendedor de quadrinhos, só o primeiro nome do rapaz já basta para saber que se trata de histórias desconexas, personagens sem carisma algum, desenhos totalmente malucos - sem proporção, criatividade, emoção, drama, narrativa ou beleza - e um amontoado de pin-ups de caras musculosos e mulheres com os seios maiores que a própria cabeça.
Então, respondendo à questão inicial, Alan Moore prova que existem apenas maus escritores. Seria besteira tentar resumir aqui a origem e o que é o Supremo, até porque não vale a pena. O que vale mesmo é saber que o personagem, baseado no Superman, ganhou vida própria com Moore, que não só criou uma mitologia mais aceitável como também trouxe leitores para a revista, que mal vendia para pagar os próprios custos.
Apesar dos desenhos continuarem em um nível, digamos, melhores dos que o de Liefield, a narrativa e a criatividade de Moore - que une de forma brilhante elementos de mais de 50 anos de arte sequencial - asseguram um pouco de autenticidade a um personagem completamente clonado. E a lição é interessante: não só para quem quer aprender a escrever com o pouco que tem em mãos, como também para quem gostaria de apenas ler uma boa história de ação com super-heróis, com a devida homenagem à Era de Ouro dos quadrinhos.

Serviço:
- ''Supremo - A Era de Ouro'' é publicação da Devir Livraria, com formato 16,5 cm x 24 cm, com 168 páginas coloridas, e custa R$ 49.

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