Betty Boop, a charmosa heroína dos desenhos animados e dos quadrinhos, já entrou e saiu de moda incontáveis vezes. De vez em quando, sua figura sexy e infantil volta a fisgar olhares ao estampar uma bolsa, uma camiseta ou um cenário de filme americano.
Criada nos anos 30, ela retorna às prateleiras brasileiras nesta temporada com o lançamento de um álbum de luxo reunindo algumas de suas melhores aventuras. O volume chega aos leitores pela editora Opera Graphica com distribuição exclusiva pelos pontos de venda do HQ Club rede que atende a um circuito ''alternativo'' de bancas, revistarias e livrarias.
A edição traz histórias publicadas originalmente todos os domingos nos jornais americanos no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial. Como a personagem é uma atriz, a maioria das tiras narra as peripécias de seu dia-a-dia em ambientes cinematográficos, contendo aqui e ali sátiras às divas de Hollywood da época.
Morena de mais ou menos 20 anos, Betty tem uma cabeça enorme, um penteado original, olhos arregalados, lábios minúsculos em forma de coração, cinturinha de vespa e coxas roliças. Aparece quase sempre com um vestido curto, sem alças, nunca dispensando uma liga na coxa esquerda. Sua primeira aparição foi num desenho animado produzido nos estúdios de Max Fleischer (1889-1972), em Nova York.
Na ocasião, ela era apenas uma coadjuvante de ''Bimbo'' um cachorrinho criado com o objetivo de concorrer com o popular Mickey Mouse dos estúdios Disney. Só que Betty, cujo visual fora inspirado na cantora Helen Kane, acabou fazendo mais sucesso que o protagonista substituindo-o no papel principal dos cartoons.
Influências do surrealismo e trilha sonora de jazz marcaram a primeira fase da personagem. Em pouco tempo, a heroína já rivalizava em fama e glamour com as estrelas de cinema. Na esteira da popularidade, foi lançada uma operação de merchandising que incluía produtos como roupas, cosméticos, brinquedos, relógios e rádios.
A partir de 1935, a censura limou o apelo erótico da guria, que passou a representar outros ''papéis'' nos desenhos aparecendo ora como secretária ora como dona de casa, professora e até babá. O êxito da primeira versão, contudo, permaneceu no imaginário dos fãs levando Betty para os quadrinhos em tiras diárias de jornais.
Lá, suas histórias foram publicadas até 1937. No final dos anos 70, um revival da personagem a trouxe de volta aos jornais e também às revistas, longa-metragens e fitas de vídeo com a compilação de seus antigos cartoons. A série em quadrinhos saiu até 1988. O Brasil foi a reboque chegando a lançar uma curta coleção para logo depois despachar a heroína para o ostracismo.
O lançamento da coletânea, agora, põe a menina outra vez na mira dos marmanjos.


Serviço:
Álbum ''Betty Boop''. 98 páginas. Lançamento: editora Opera Graphica. Preço: R$ 12,90. Pontos de venda no Paraná: em Curitiba Itiban Comic Shop (Av. Silva Jardim nº 845, CEP 80230-000, Telefone (41) 232.5367, Curitiba/PR). Em Londrina Bat Banca (Rua Raposo Tavares nº 687, CEP 86010-580, Telefone (43) 337.0587, Londrina/PR).

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