ReproduçãoCena de ‘‘No Me Toquen Ese Valse’’: incomunicabilidade e lembranças da vidaYuyachkani significa, no dialeto andino, ‘‘eu penso’’, ‘‘eu lembro’’. O grupo Yuyachkani, que estréia hoje no FILO, mantém vivo este significado através de um trabalho de pesquisa nas tradições populares peruanas e nos espetáculos de criação coletiva. Com 26 anos de estrada, o Yuyachkani já se tornou uma lenda na história do teatro latino-americano.
Em Londrina, o grupo apresenta o espetáculo ‘‘No Me Toquen Ese Valse’’, hoje e amanhã, às 19 horas, no Teatro Zaqueu de Melo. No espetáculo, o palco é transformado em um velho cabaré abandonado de uma cidade desolada pela violência. Os personagens, Aberlado e Amanda, são artistas mortos que voltam ao antigo local de trabalho, na tentativa de recuperar suas identidades, seu público e, principalmente, um pouco de vida.
Os atores Julian Vargas, como Abelardo, e Rebecca Ralli, como Amanda, permanecem de frente para o público o tempo todo. Aberlado, sentado atrás de uma bateria, que faz soar freneticamente; e Amanda, em uma cadeira de rodas, conta seus segredos a um vaso de cactos. Roendo a própria memória, ambos tentam se comunicar, agarrar um fiapo de vida. A incomunicabilidade chega a beirar o absurdo.
Produto da criação coletiva, com direção de Miguel Rubio, o espetáculo foi baseado em estudos de poemas do poeta espanhol Léon Felipe, além de sonetos de Shakespeare. Com apoio musical de Vargas, os poemas são musicados e dão contorno à história. Os personagens, quase sem se moverem, passam expressões através de gestos corporais, faciais e pela voz. Num palco repleto de ambiguidades, o humor é colocado como instrumento de dúvida e o fracasso, um elemento ironicamente reconfortante.

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