Pura luxúria
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Mariana Trigo<br> TV Press 
Nem de longe Juliana Silveira lembra a romântica Floribella, personagem que interpretou no infantil homônimo da Band. Com o cabelo louro curtíssimo e repicado, camuflando os expressivos olhos verdes, a atriz está mais lasciva que nunca. Também pudera. Em 10 anos de carreira na tevê, finalmente a paulista de 28 anos interpreta sua primeira protagonista no horário nobre. Em ''Chamas da Vida'', na Record, Juliana vive a inquieta Carolina, uma documentarista irreverente que não tem papas na língua e parece soltar faíscas em instigantes cenas sensuais.
A ''mocinha às avessas'' da trama de Cristianne Fridman é noiva de Tomás, de Bruno Ferrari, mas logo se envolve com Pedro, de Leonardo Brício. O romance conturbado entre a mocinha, que mora na Urca, na Zona Sul carioca, e o corajoso bombeiro do Tinguá - região da Baixada Fluminense - começa quando eles se apaixonam no momento em que Pedro a salva de um incêndio criminoso numa fábrica de sorvetes da família de Carolina.
A Carolina é uma mocinha atípica, que é noiva e se envolve com outro homem e vai para a cama com um cara comprometido. E, além disso, é brigona e não tem papas na língua. Como foi a composição desse comportamento tão diferente do que se espera de uma mocinha?
Foi difícil dosar, no início. Ela tem uma personalidade forte, toma posições e reações que você realmente não espera de uma mocinha. É muito prazeroso porque eu me surpreendo lendo os textos. Sempre falo: Não acredito que ela vai dizer isso! E ela diz!. Ela não tem um comportamento convencional de mocinhas. Bate de frente mesmo. Vamos ver se vão gostar dela ou não.
Você teme que ela não seja bem aceita?
No início dá um certo medo do que vai acontecer. Estamos no início da novela. Mas tenho a sorte de ter cara de boa-moça.
Além de não ser convencional, este é seu primeiro papel realmente adulto, com cenas de sexo. Há três anos você estava no ar com uma personagem infantil, a Floribella. Logo em seguida, a Globo chamou você para fazer uma prostituta em ''Paraíso Tropical''. Era necessário um tempo para tirar a imagem de ''menininha'' até chegar nas cenas de sexo?
Sem dúvida. Agora a Carolina vai bombar nas cenas de sexo. Hoje gravei uma cena que, quando acabou, olhei para a cara do Leonardo (Brício) e falei: Meu Deus, Léo, o que aconteceu? São cenas quentíssimas de sexo na cachoeira, no quarto dele, em vários lugares. Eu nunca fiz nada parecido com essa personagem. Estou aprendendo. Vou aparecer em muitos nus na novela. Isso me deu muita tensão e nervoso no início. É esquisito ficar no estúdio com sutiã adesivo. Mas depois eu relaxo e parece que estou com roupa. Ameniza o fato de não ser do tipo mulherão. Sou toda pequenininha, peito pequeno...
Essa personagem incentiva você a finalmente posar nua?
Não. Já tive vários convites, mas não tem a ver comigo. Não sei se vou continuar negando os convites durante anos, mas agora não é o momento.
Você precisou de um preparo físico especial pelo fato dela ser esportista e praticar modalidades radicais?
Tomei muito chá de camomila para descer de rapel (risos) e faço exercícios respiratórios antes de gravar essas cenas para me acalmar e não entrar em pânico. Chego em casa e pago o preço: a coluna dói. Mas vale à pena. Consigo ultrapassar fácil alguns limites que pensava que eram enormes.
Quais?
Como descer de rapel mesmo. Antes eu quase preferia morrer. Tenho pavor de altura. Fiz essas sequências no estúdio e foi um sofrimento. Mesmo no estúdio, pendurada, não é uma situação confortável. Também comprei uma bicicleta. Andei muito de ''bike'' no início das gravações porque ela defende a bicicleta como meio de transporte. Mas tive de parar de malhar por falta de tempo. Já fiz sequências da Carolina que dou garrafada na cabeça de um cara, luto com outro, saio correndo. Isso não tem nada a ver comigo. Ela é barraqueira, vai para cima. Tem esse comportamento porque, apesar de rica, veio de baixo, morava lá no Tinguá. Apesar de ser moderninha, adora um escândalo, se embola no chão, vai para cima de homem, mulher, qualquer pessoa. É uma maluca.
Ou seja, o oposto do perfil de todas as suas personagens até agora.
Estava na hora de mudar, de mostrar que virei uma mulher. Já estou com 28 anos. Tudo bem que, apesar da idade, ainda pareço fisicamente com uma menina de 20, 25 anos. Só agora estou conseguindo ter uma personagem mais próxima da minha realidade, com menos cara e jeito de mocinha. Mas nunca tive pressa para fazer uma protagonista de novela das oito porque tive aquela cara de neném até os 20 e poucos anos. Tinha realmente de ficar fazendo ''Malhação'' e ''Floribella''. Isso aconteceu porque não tive pressa de queimar etapas. Profissionalmente sei esperar, apesar de não ser muito paciente.
Este ano você completa 10 anos de carreira na tevê desde sua estréia em ''Pecado Capital''. O que vem depois da novela?
Vou continuar investindo na minha carreira como atriz. Não vou ser cantora e muito menos apresentadora infantil, como muitos dizem. Estudo e pretendo montar um musical, talvez um infantil, onde eu possa cantar, dançar e atuar. Mas meu contrato com a Record vai até 2011. Tenho de me permitir diversas experiências como profissional. Quero novos universos.


