Punk rock vive em Curitiba
Fernando Tupan
O No Milk Today é uma das mais importantes bandas de punk rock do Brasil. Mora em Curitiba, endereço de várias outras bandas boas e pesadas do Brasil. Transando uma combinação do puro som de 77 com influências dos 80 e 90, o NMT deu os primeiros passos em dezembro de 1993 quando Maurício e o ex-baterista Carmino Neto passaram a ensaiar. Logo em seguida pintou o vocalista Trajano. Somente em março de 94 surgiu o guitarrista Rodrigo.
Como quarteto, os ensaios passaram a ser realizados num quarto de empregada e por pouco uma briga por um T, para ligarem os amplificadores, não coloca um fim na banda. É que geralmente no mesmo momento a empregada estava passando roupa e a preferência pela tomada era dela. Somente depois de pintar uma extensão é que o problema foi resolvido, e os ensaios passaram a ser realizados sem problemas.
Quando marcaram o primeiro show, o NMT tinha somente seis músicas e foram essas, com direito a repetição, as músicas tocadas num desfile da Cruel Maniac, no falecido bar 92 Degrees, juntamente com Silly Bones e Oss, de Brasília. O dia histórico era 17 de junho de 1994, mesmo dia da abertura da Copa do Mundo dos Estados Unidos, quando a Alemanha venceu a Bolívia por 1 a 0.
O nome NMT nasceu num momento de bobeira quando o guitarrista Rodrigo ouvia um disco da banda dos anos 60, Hermans Hermit. O nome da música era No Milk Today. Eu fiquei de tirar a música e até hoje ainda não rolou. Um dia ainda vou detonar o som num dos nossos ensaios, explica o guitarrista.
Em 95, a banda passou pela primeira crise. O baterista Carmino puxou o time, desanimado com a falta de shows. Passou na Faculdade de Direito, em Presidente Prudente, e se mandou. Pintou o baterista Maurício Gaugau, do Slack Nipples, para quebrar o galho. Um dia a gente ia tocar e o Gagau sumiu. Disse que havia caído de moto. O Gustavo ia dividir uma noitada com outra banda e se dispôs a tocar, fala o baixista Maurício.
Tudo parecia estar correndo às mil maravilhas, segundo Rodrigo. Na Segunda música do show a luz apagou e de repente nosso vocalista estava fechando o pau com um cara, o sistema de som veio abaixo, o dono do PA veio chorando, pedindo para pararem de bater no irmão. A treta havia iniciado porque o Trajano derrubou o microfone do pedestal por duas vezes. O público adorou nossa anarquia. O NMT deixou de ser uma banda reba para ser idolatrada pelos fãs.
Em 98, o NMT realizou uma porrada de shows, ganhou elogios de membros do TSOL e definitivamente decolou. A banda gravou a demo 4 years 4 that, em julho, em casa, por pura diversão, com 12 canções. O resultado acertou na veia e hoje é disputada a tapas entre os fãs. As mil cópias voaram. Depois veio a participação na coletânea Lototol, da + Records. Agora, ensaiando três vezes por semana, a meta é gravar o primeiro CD, que deve estar pronto até o final do ano.





