Nelson Sato
De Londrina
O sonho de emplacar no exterior parecia enterrado. A maioria das bandas que cantava em inglês no começo da década já tinha desistido da causa, deixando de seguir as pegadas do Sepultura. Não tendo conquistado sequer o público local, muitas abandonaram a cena enquanto outras renderam-se ao idioma pátrio.
Entre as sobreviventes, raras perceberam o potencial da Internet como meio para mostrar seu trabalho ao mundo sem depender de gravadoras, mídia e todo o aparato da grande indústria fonográfica. É nesse panorama que a banda paulistana Toyshop, formada há 5 anos, tenta mais uma cartada com o lançamento do álbum Party Up pela Roadrunner.
O título do CD é alusivo ao nome anterior do grupo com o qual os integrantes chegaram a gravar um disco em 95 pelo extinto selo Banguela, ligado à Warner. O produto acabou na geladeira, já que o fim da gravação coincidiu com a troca de direção e mudança de planos do selo, que passou a se chamar Excelente Discos e se vinculou a outra gravadora.
A frustração, porém, não foi suficiente para minar os projetos de Natasha Barroso (vocais), Val Santos (guitarra), Gabriel Weinberg (guitarra) e Guilherme Martin (bateria). Em vez de jogar a toalha, eles persistiram e acabaram sendo contratados pela Roadrunner. Agora o quarteto é o principal investimento da filial brazuca da gravadora, que tem matriz na Holanda.
No fim do ano passado, a banda tocou no Japão e Estados Unidos. E agora uma turnê promocional foi programada para o próximo mês incluindo shows por toda a Europa, onde o disco será lançado. Todo esse marketing, porém, tropeça no som despretensioso da banda cuja vocalista é uma modelo que já estampou capas para revistas dirigidas a adolescentes.
Descartando a invenção, o grupo reitera os padrões do punk rock. Gravado em Los Angeles, o álbum reúne 15 faixas produzidas por Silvia Massy, que já assinou trabalhos para Slayer e Red Hot Chilli Peppers. O recheio é punk recreativo, festeiro, gotejando influências dos Ramones. É a mesma ladainha dos três acordes eficientemente executada. Se esta é a praia do leitor, a diversão é garantida.
Há ainda flertes com o ska nas faixas ‘‘Everybody Crazy’’, ‘‘Runaway’’ e ‘‘No Place’’ denunciando popices na linha de grupos como No Doubt. Fechando o CD, um medley escondido funde ‘‘Balão Azul’’ (Balão Mágico), ‘‘Vira’’ (Secos & Molhados) e ‘‘Uma História de Amor’’ (Blitz). Toyshop faz punk domesticado, feito para garotinhas de shopping que posam de ‘‘radicais’’.

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