Kraw PenasO Dalai-Lama emocionou o público e arrancou aplausos durante o ‘‘Concerto Pela Paz’’, anteontem em CuritibaSimone Mattos
Venda de álcool proibida, público bem comportado e artistas se apresentando sem cobrar cachê. Neste clima ‘‘zen’’, cerca de dez mil pessoas cantaram e dançaram no ‘‘Concerto Pela Paz’’, que aconteceu anteontem, na Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba. Apesar do público ter se divertido, o show que homenageou o 14º Dalai-Lama, não promoveu a paz nos bastidores. A organização falhou e o acesso da imprensa e pessoas credenciadas aos camarins e área de palco foi ineficiente, irritando os que trabalhavam no local. O evento foi promovido pelo Comitê Brasileiro de Apoio ao Tibet.
Kraw PenasO Dalai-Lama segura a mão de Gil no palco: Rita Lee, Elba Ramalho e Maitê Proença também participaram do showO concerto começou às 18h30, com a apresentação da Orquestra de MPB de Curitiba. Durante 35 minutos, os músicos se esforçaram para animar o minguado público que ainda não passava de cinco mil pessoas, mas uma chuva insistente desanimou a platéia. Nem a bela apresentação da orquestra, que incluiu composições de vários artistas brasileiros, como Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Egberto Gismonti, animou.
Uma hora depois do início do show, uma presença inesperada no palco. Fora do cronograma do evento, o representante indígena intertribal para os ‘‘500 Anos do Brasil’’, Kaka Werá, deu sua mensagem de paz e esperança e falou que a chuva serviria para ‘‘regar os ensinamentos que estavam sendo transmitidos pelo mestre Dalai-Lama em Curitiba’’. A pedagoga Íris Boff também subiu ao palco para falar sobre otimismo e paz.
Kraw PenasOs monges cantores do mosteiro de Drepung (Índia): presença musical e espiritualLogo em seguida, a exótica apresentação dos Monges Cantores do Mosteiro de Drepung, da Índia, trouxe à Pedreira mantras e instrumentos típicos da região, como as ‘‘long horns’’. O show agradou pelo som e visual inéditos do grupo.
O ponto alto da noite teve início às 19h45, quando o líder espiritual do Tibete veio ao palco, contagiando e emocionando o público. Cercado pelos artistas Elba Ramalho, Gilberto Gil e Rita Lee, Dalai-Lama
Kraw PenasO índio Kaka Werá: mensagem de paz e evocação à chuvafez um breve discurso de sete minutos, traduzido simultaneamente para o português.
‘‘Estou comovido porque consigo ver daqui um sorriso no rosto de cada um’’, disse o líder, arrancando aplausos e gritos da pequena multidão. ‘‘Um sorriso no rosto significa um coração caloroso, o que diminui medos e aumenta a coragem, proporcionando uma vida mais feliz’’, afirmou.
Antes de sair de cena, Dalai-Lama entregou uma echarpe branca a cada um dos artistas que estava no palco, seguindo a tradição tibetana de agradecimento. A atriz Maitê Proença, que veio a Curitiba especialmente para apresentar o Dalai-Lama na Pedreira, chegou atrasada ao evento e se desculpou quando subiu ao palco.
Foi ela quem anunciou a próxima atração, o cantor e compositor baiano Gilberto Gil. Com sucessos novos e antigos, ele envolveu o público durante pouco mais de vinte minutos. Na sequência, Rita Lee e Roberto de Carvalho, Elba Ramalho e Baby (Consuelo) do Brasil, que não estava no cronograma do concerto e resolveu participar na última hora, fizeram curtos e animados shows.
Kraw PenasO público durante o Concerto Pela Paz: alegria e devoção na recepção ao Dalai- LamaEnquanto no palco tudo era festa, nos bastidores nem tanto. Personalidades, como o deputado federal Fernando Gabeira (PV), que acompanhava Gilberto Gil, foram barradas pela segurança que criava dificuldades para pessoas credenciadas entrarem na área de palco.
O mesmo aconteceu com parte da imprensa, que não teve acesso. Embora a assessoria de imprensa do evento tenha alegado que uma das cláusulas do contrato dos artistas era a de não dar entrevistas, a desculpa não convenceu, já que algumas emissoras tiveram acesso ao local.

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