Rio, 22 (AE) - Ninguém esperava, mas todo mundo que foi ao Espaço Unibanco assistir à transmissão da entrega do Oscar na noite de domingo torceu por Fernanda Montenegro e por Central do Brasil, nesta ordem. O maestro Paulo Moura e o ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso estavam entre os primeiros a chegar e contaram que pela primeira vez assistiam à cerimônia num lugar público, para torcer melhor pelo cinema brasileiro.
"Assisti a todos os filmes e acho que a Fernanda é a melhor atriz e Central do Brasil, o melhor filme", disse Reis Velloso, cinéfilo confesso, que foi com a mulher, Isabel.
Quando começou a transmissão, foram chegando outros convidados. Eram poucas as caras conhecidas, quase ninguém da produção da Central do Brasil e muitos representantes daquela fauna que não falta a qualquer acontecimento onde há boca-livre total. O diretor dde fotografia, Walter Carvalho, e a produtora Elisa Tolomei, deram bolo na festa que era patrocinada pelo banco da família de Walter Salles Junior, mas essas ausências nem foram notadas.
A cantora Beth Carvalho comemorava não só as indicações brasileiras para o Oscar, mas também o Grammy ganho por Gilberto Gil no mês passado. "Já chega atrasado esse reconhecimento dos americanos pela nossa cultura", vangloriou-se ela. "Temos a melhor música, excelentes atrizes, mas acho que a Fernanda não leva porque o Oscar é uma festa americana e as outras indicadas são mais jovens e renderão mais dinheiro se levarem o prêmio." Cristiane Torloni chegou linda e ruiva, se dizendo comovida só com o fato de o Brasil estar na festa. "É mais ou menos como na Copa do Mundo, só que nossos jogadores vivem lá fora e vêm aqui só para lutar por nós", disse ela. "No Oscar, estamos indicados por um trabalho que fazemos aqui, com o que conseguimos fazer com nossas dificuldades." Ela assistiu à transmissão ao lado de Liége Monteiro e na mesa ao lado de Beth Carvalho e não deixou de sorrir nem quando Fernanda perdeu para Gwyneth Paltrow a estatueta de melhor atriz.
Quando isso aconteceu, o público até ensaiou uma vaia que virou aplauso porque a atriz, elegantemente, citou as outras concorrentes, começando por Fernanda. Foi quando o montador de Central do Brasil, Felipe Lacerda, estourou o primeiro champanhe
entre os muitos que estavam guardados para uma eventual vitória brasileira. "Só o fato de estarmos concorrendo já é gostoso e pode ser o prenúncio de que muitos filmes serão feitos a partir de agora", comemorava Lacerda, um dos poucos integrantes do Central do Brasil a comparecer ao Espaço Unibanco. "Nós nunca pensamos em chegar até lá enquanto fazíamos o filme, queríamos apenas fazer um bom trabalho." O diretor de produção de Central doBrasil, Marcelo Torres, também esteve lá. Chegou cedo e preferiu assistir à transmissão no escurinho do cinema, em vez de ficar na badalação do foyer. Quando veio a premiação de melhor filme estrangeiro, ele não escondeu a decepção mas comemorou mesmo assim. "Desta vez não deu para o Waltinho (Moreira Salles Junior, diretor da película), mas o cinema brasileiro já deu um grande salto só de chegar até o Oscar", disse ele.

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