Público também critica o descaso
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segunda-feira, 03 de setembro de 2018
Equipe da Folha 2 
"Não há um único governo, em memória recente, que não seja cúmplice dessa tragédia. Se eu tivesse tido qualquer cargo público remotamente relacionado a verbas para os museus brasileiros, cobriria a cabeça de cinzas e nunca mais sairia de casa." (Cora Rónai, carioca, jornalista, escritora, colunista de O Globo)
"Depois de muita mendicância, o BNDES prometeu dar míseros 20 milhões para uma reforma do Museu Nacional. Mas quem conhece as dimensões do Palácio Imperial, sabe que essa quantia é irrisória. Enquanto isso, só Geddel Vieira Lima mantinha 50 milhões em dinheiro vivo em um apartamento e o Fundo Partidário público para a campanha eleitoral é de 2 bilhões e 500 milhões de reais. Esse é o Brasil que acaba de destruir um Museu de 200 anos." (Marcus Fabiano, professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense - UFF - gaúcho, radicado no Rio de Janeiro há 8 anos)
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"Nasci em São Cristóvão isto já me garantiria uma intimidade com a Quinta da Boa Vista. Minha infância foi brincada nos seus jardins. Na minha fantasia, do seu lago, dentro de um barquinho, eu me dizia em Veneza. Descobri o Museu um pouco mais tarde. Mas bastou ultrapassar uma vez aqueles portões e me senti em casa,em um mundo que se mostrava novo, a cada olhar. Do dinossauro aos artefatos indígenas, me perdia e me encontrava em um outro lugar. Uma sucessão de descobertas encantadas para a minha pouca idade. Mas, nada suplantou a magia que me capturou quando o universo egípcio se materializou diante do espanto tanto pela beleza, quanto pelo medo imenso da múmia. Devia ter à época uns 7 anos. E a múmia entrou na minha vida como um desafio : Vencer o medo. E, minha rotina passou a ser, visitá-la. Cada dia eu ousava um pouco mais, até um dia que um professor que guiava uma visita lançou um desafio: "Quem tem coragem de tocar a múmia?" E, eu para meu espanto, me precipitei e pousei minha mão.
Medo superado, orgulhosa e feliz com minha audácia, passei a olhar aquela parte do museu como meu Egito particular.
Hoje, meu medo retornou e assisto assustada e triste a essa tragédia para a nossa história, para nossa cultura. Enquanto escrevo vejo a fome das labaredas se nutrirem do passado e da potência de futuro que sempre circulou por ali. (Iza Melo, carioca, psicanalista)
(Equipe da Folha 2)


