San Sebastián (Espanha) O diretor alemão Wim Wenders, que preside o júri da atual edição do Festival de Cinema de San Sebastián, afirmou que o cinema autoral está ''mais justificado que nunca'', diante do auge dos filmes carregados de efeitos especiais.
''As pessoas estão cansadas das histórias que sejam somente divertidas, num contexto absolutamente consumista. O público pede algo mais, e este festival me permitiu ver um tipo de cinema que aborda as perguntas fundamentais da humanidade'', disse o cineasta de ''Paris-Texas''.
Como presidente da Academia de Cinema Europeu, Wenders participará ao terminar o festival, no próximo sábado, dia 28, de conferências sobre a defesa do cinema do velho continente.
''O melhor para proteger o cinema europeu é fazer filmes, embora muitas vezes pense que não seja suficiente. Na Ásia e na Europa há um volume de produção enorme que, no entanto, sofre uma distribuição horrenda. Por isso não se pode pensar em uma solução sem passar pela política'', acrescentou.
''É um assunto de poder'', acrescentou, ''porque a Europa tem uma riqueza cinematográfica muito representativa e não podemos deixar que os filmes virem produtos como as batatas ou os carros. Nesse caso, ficaremos desesperados.''
Além das responsabilidades próprias de presidente do júri, Wenders participa do festival como um dos produtores de ''Ten minutes older (The trumpet)'', filme composto de sete curtas de outros diretores de renome, entre os quais Jim Jarmusch, Víctor Erice e Spike Lee.
Wenders anunciou que está preparando um documentário ''sobre o blues, que faz parte de uma série de filmes sobre música rodados por sete diretores, entre eles Scorsese e Mike Figgis''. Além disso, revelou que realizará um filme europeu rodado nos Estados Unidos com Sam Shepard, roteirista de ''Paris-Texas''.

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