Público lota teatro para ouvir leitura de textos de Saramago
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Por Beth Néspoli 
São Paulo, 29 (AE) - Um público atento lotou ontem (28) poltronas e corredores do Teatro Sesc Vila Mariana, em São Paulo
na noite de homenagem promovida pelo Sesc com a editora Companhia das Letras ao escritor português José Saramago, que está na capital paulista pela primeira vez depois de ter ganho o Prêmio Nobel.
Saramago veio ao Brasil para o lançamento do segundo volume de "Cadernos de Lanzarote", que reúne diários escritos entre 1996 e 1997. Hoje foi a Belo Horizonte para uma nova homenagem e amanhã (30) estará novamente em São Paulo, para assistir ao show do amigo Chico Buarque.
Saramago foi muito aplaudido ao entrar no teatro para assistir, da platéia, à leitura dramatizada de um trecho de "O Evangelho segundo Jesus Cristo". Como o resto do público, riu com a excelente atuação de Sérgio Mamberti interpretando o ambicioso Deus que não hesita em sacrificar seu filho (Tuca Andrada) para ampliar seu poder sobre os homens. Embora com menor participação, também esteve ótimo Odilon Wagner no papel de diabo e sem dúvida os três despertaram no público o desejo de ver a peça ou, quem ainda não o fez, ler o livro.
Em seguida, foi a vez de subirem ao palco Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc São Paulo, Luis Schwarcz, dono da Companhia das Letras, e o compositor Chico Buarque. Os dois primeiros fizeram curtos discursos e, em seguida, um Chico nervoso comemorou ter escolhido a curta crônica "A Velha Senhora dos Canários" - "diante dessa leitura!", disse.
Mas apesar de Chico ter provocado os suspiros de praxe ao subir ao palco, a grande estrela da noite foi mesmo Saramago, que recebeu os maiores aplausos e foi ouvido num silêncio emocionado. Louve-se o Sesc pela democratização do evento, já que a platéia, bastante heterogênea, era claramente de leitores de Saramago que batalharam pelo ingresso gratuito e não de artistas ou colunáveis.
Para eles, Saramago fez um longo discurso humanista. "Quem esperava que eu falasse sobre literatura deve estranhar esse discurso quase de pregador", afirmou. O discurso que se espera de um homem cuja arte sempre refletiu sua preocupação com os destinos da humanidade.


