O novo sambódromo londrinense recebeu a aprovação do público presente no Autódromo Ayrton Senna (Zona Norte). A distância não foi empecilho para atrair sete mil pessoas no desfile no domingo de Carnaval. A superlotação obrigou o público a sentar na mureta, no lado oposto ao destinado às arquibancadas. A ocupação mais racional para o espaço deve render repeteco no próximo ano. A Secretaria da Cultura pretende aumentar o número de oficinas direcionadas às escolas de samba, integrando com a Rede da Cidadania, como também melhorar a estrutura do local. A organização da festa merece elogios, principalmente por conseguir fazer um carnaval com recursos exíguos. O público correspondeu com civilidade, até a tarde de ontem nenhuma ocorrência foi registrada pela Polícia Militar.
Iniciando no horário previsto, 21 horas, o desfile durou seis horas, tempo demasiado longo para assistir a pouco mais de 1.000 componentes, número total das cinco escolas. O tempo de espera entre uma escola e outra entediou e cansou o público. Somente os mais decididos permaneceram no local até quase as 3 horas da manhã.
Como sempre, o desfile das escolas londrinenses foi marcado pelo improvisado, repetindo o estilo ‘‘em cima da hora’’. Os protagonistas da festa levaram à pista do samba pouca nudez, muita mulher grávida (presente em todas as escolas) e crianças em tenra idade que não sabiam o que estavam fazendo ali.
Os sambas-enredos trouxeram temas recorrentes nos carnavais (auto-homenagem, personagens do terror, elementos da sorte, maravilhas do Brasil). A ‘‘Gaviões Londrinenses’’ em algumas alas abusou do colorido, mas as cores escuras de bruxos e duendes prevaleceu. ‘‘Garotos Unidos Londrinenses’’, a segunda a cruzar a avenida, fez um desfile relâmpago, em função do número reduzido de integrantes. Trouxe até um garoto com o pé machucado, que mal conseguia andar.
Merece destaque a bateria da Escola Quilombo dos Palmares, a terceira escola a desfilar, com um ritmo contagiante animou a galera com a batida funk. O casal de mestre sala e porta-bandeira, Ivo e Cristina, e o mestre da bateria, Henrique Galdino, foram muito aplaudidos. Foi a única escola que trouxe um pouco mais de samba no pé no conjunto.
A tradicional escola ‘‘Unidos do Jardim do Sol’’, com o tema ‘‘O Sonho de Um Mundo Colorido’’, também aumentou o número de integrantes com crianças, o que fez cair o ritmo do desfile. Quem ficou até o fim, pôde conferir às fantasias mais trabalhadas da ‘‘Navegantes do Mar Azul’’, principalmente a Comissão de Frente.
Na noite de segunda feira, as bandas londrinenses Euthanásia, Os Picaretas, Espíritos Zombeteiros com Batuque da Caixa e Búfalos d’Agua se apresentaram no Autódromo. O alvará de licença concedido pelo Juiz da Vara da Infância e Família, Dimas Ortêncio de Melo, determinou para todos os dias o encerramento do evento a uma hora da manhã. No desfile de domingo, esse tempo excedeu. Na segunda, as bandas de rock reclamaram do horário diminuto para encerrar o Carnarock. Enquanto os clubes festejavam noite adentro, mais de 1.500 pessoas presentes ao show das bandas tiveram que se retirar do Autódromo com um gostinho de quero mais.

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