Público cúmplice, sequela garantida
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Carlos Eduardo Lourenço Jorge Especial para a Folha 2 
No caso do cinema de animação digital, durante muitos anos o espectador viu passar diante dos olhos um rol de maravilhas. Neste momento, porém, o desembarque de propostas bem frouxas, técnica e artisticamente, demonstra que o gênero parece pior das pernas do que realmente é. Neste sentido, ''Madagascar'' surgiu em 2005 como um dos mais medíocres - pelo menos quanto ao argumento - de todo este universo digital que sem dúvida se consolidou de maneira incontestável na última década.
Mas como se sabe, um êxito de bilheteria tem como consequência obrigatória sua sequela, e assim, cá estão outra vez os mesmos personagens, com seus tiques e mínimas variantes em cada situação repetida. De novo Alex o leão quer brilhar dançando, de novo a zebra Marty é sua fiel amiga, apesar da ancestral suculência, de novo Glória a hipopótamo se apaixona pela girafa Melman e de novo os quatro colegas se encontram naquele que deveria ser seu habitat natural, mas que resulta estranho por causa da longa permanência no zôo de New York, de onde escaparam.
O avião que deveria devolvê-los cai na savana e Alex reencontra seus pais, enfrentando a obrigação de tornar-se chefe como macho dominante da espécie, sem no entanto ter formação e competência para o cargo. Os incidentes do melodrama familiar na aventura exótica se sucedem em passatempo tecnologicamente rico, mas criativamente pobre.
Como atração tirada da cartola, o único personagem humano: uma hilária idosa nova-iorquina, mais fera que qualquer dos irracionais ferozes, uma espécie de Van Damme de saias. E como penosa tentativa de levar a correção política a extremos, a insistência na love story da hipopótamo e da girafa. (C.E.L.J.)


