A escassez de publicações pop no Brasil fez da revista Zero um oásis no deserto. A Internet, com seu acesso instantâneo a informações e até a músicas inéditas dos artistas , teria sido a grande responsável pelo fim da concorrência.
Zero está comemorando um ano esta semana. Não se tornou ítem mensal obrigatório, mas manteve-se com periodicidade nas bancas enfrentando não só a web como o alto custo do papel, a eterna falta de grana do público-alvo e a sempre alegada aversão dos jovens à leitura fatores que, juntos, inviabilizaram revistas como Showbizz, Frente e Play.
A edição número seis, que acaba de pular da gráfica, ignora o aniversário deixando de lado a auto-badalação para polemizar a questão das drogas. Um dossiê de vinte páginas aborda o assunto mapeando as conexões entre as substâncias proibidas e o rock'n'roll.
José Emilio Rondeau e Alexandre Petillo apresentam uma lista comentada de discos gravados sob direta influência de aditivos químicos. Na mesma linha, dois jornalistas da revista norte-americana High Times (especializada em cannabis sativa) relacionam músicas esfumaçadas.
No bloco mais controverso do dossiê, três jornalistas contam suas experiências sob os efeitos de alucinógenos. Bruno Torturra Nogueira toma quatro ácidos e passa mais de 24 horas conversando com ''personagens'' do centro de São Paulo. Chris Simunek, da High Times, também ingere LSD e vai até Graceland para investigar a sobrevivência do mito Elvis Presley.
A correspondente na Itália, Homera Cristalli, topa ser repórter-cobaia e testa a Sálvia, a erva vendida legalmente na Europa. Alex Antunes mergulha nas relações entre a tríade sexo-drogas-rock'n'roll e a luta arquetípica entre o caos e a ordem. Completando o dossiê, Alexandre Petillo visita um culto do palhaço Bozo, que se tornou pastor evangélico depois de sofrer um acidente de trânsito no auge da fama período em que apresentava um programa na televisão e vivia entupido de drogas.
A mania da imprensa em eleger bandas obscuras como a ''sensação da próxima temporada'' é tema da matéria ''Promessa é Dúvida''. O texto comenta vários grupos incensados pela mídia e que acabaram relegados ao anonimato caso, por exemplo, de Prong, Helmet e Kula Shaker. A Mãe Dinah, famosa por ter antecipado a morte dos Mamonas Assassinas, é convocada pelos editores para participar da celeuma fornecendo suas previsões para 2003 no rock.
Divertindo os leitores com listas, uma outra relação traz os discos ao vivo mais picaretas da história, onde não faltam álbuns de bandas como Kiss, Iron Maiden e Black Sabbath. Um editorial de moda com roupas de Caio Gobbi, inspirado no metal farofa dos anos 80, recheia outras páginas da revista que traz ainda seções de CDs, DVDs e livros, além de entrevistas com o produtor Carlos Eduardo Miranda, o músico Peter Gabriel e o soulman Solomon Burke (cuja canção ''Gotta Get You Off my Mind'' embala o romance do protagonista Rob Fleming e de sua namorada no livro ''Alta Fidelidade'').
Zero é comandada por Luiz Cesar Pimentel (Folha de São Paulo, revista Trip e Abril), Alexandre Petillo (Notícias Populares e Reuters), Marco Bezzi (Bizz), Daniel Motta (Trip) e Sylvie Piccolotto.

mockup