PUBLICAÇÃO 'Coyote' uiva nas bancas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de dezembro de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
O papa junkie Willian S. Burroughs é quem abre o novo número da revista Coyote, o sétimo, já circulando nas prateleiras. ''Muitos policiais e políticos são viciados justamente no Poder, em exercer uma espécie suja de Poder sobre pessoas indefesas. O tipo sujo de Poder: chamo isso de droga limpa a legalidade; eles são a lei, a lei, a lei...e se perdessem esse Poder, sofreriam sintomas excruciantes de privação'' anota ele no texto-epígrafe, que habitualmente ocupa as duas primeiras páginas da publicação.
Coyote é editada em Londrina pelos escritores e jornalistas Rodrigo Garcia Lopes, Marcos Losnak e Ademir Assunção. Amparada pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), tem distribuição nacional pela editora Iluminuras. Com periodicidade trimestral, visa escoar a produção literária e artística radical de todas as épocas publicando autores e artistas locais, do Brasil e do exterior.
A nova edição destaca nomes como o norte-americano Frank O'Hara, o francês Georges Bataille, o uruguaio Victor Sosa, o paulista José Agrippino de Paulo e o mineiro André Sant'Anna. Os talentos de Londrina comparecem nas páginas em diversas facetas. Rogério Ivano mostra contos. O cartunista Beto apresenta uma história em quadrinhos. E Maurício Arruda Mendonça é destacado num dossiê que reúne entrevista, poemas e fragmentos de seus textos para teatro.
Num dos trechos da entrevista, ele assinala que ''a forma pela forma (em poesia) é uma coisa sem sangue, descarnalizada''.
E continua: ''Se alguém ainda imagina que através da forma vai conseguir falar alguma coisa pro leitor ele está completamente equivocado. Pegue um Chico Buarque: quer melhor exemplo de palavras postas em música? Nada dele sobra. Tudo o que escreve significa e é cantável. Por outro lado, pegue poetas como Domingos Pellegrini e Glauco Mattoso. Eles escrevem sonetos. Uma forma secular e consagrada.
Mas o que estão fazendo é dizer algo, claramente para o leitor, experiências muito ricas, diferentes e objetivas. O que busco nos poetas é o que eles estão dizendo. E se o que dizem é uma experiência vital, isto faz sentido pra mim. A grande diferença está na potência de estar vivo. Não há tempo a perder com fórmulas. O artista deve mostrar aquilo que entende sobre a vida. Querem chamar minha visão de dramático-existencial? Tudo bem, eu assumo. Quando leio um escritor eu elejo como valor o fato de que queira ler novamente, se ele vai ficar como referência pra mim''.
Completam a edição uma carta inédita em português do Marquês de Sade, uma miniantologia em prosa de Caio Meira e Maria Esther Maciel, fotografias de Marcelo Schellini e poemas de Luiz Roberto Guedes e Dennis Rad'nz.
Serviço:
- Revista Coyote nº7. Preço: R$ 5,00 (em Londrina) e R$ 10,00 (outras cidades). Pedidos por e-mail: [email protected] e pelo site www.iluminuras.com.br.


