A edição nº 13 da revista Singular, produzida em Fortaleza, deve estar quase saindo do forno. Mas o nº 12 ainda dá o que falar. Editada por Eliezer Rodrigues, a publicação traz muitas singularidades: em formato de bolso, do tamanho de uma capinha de CD, reúne diversão, cultura e muita informação em reportagens de fazer inveja a muitas grandonas do mercado. É um produto independente que traz um tipo de jornalismo que quase não se vê mais por aí. É uma revista alternativa, sem 'rabo preso', que traz neste número excelentes entrevistas. Uma delas com o jornalista e comentarista esportivo José Inácio Werneck que há 14 anos mora nos EUA e conta aos leitores como vivem os brasileiros que trocaram o País pela terra do Tio Sam. O que inspira a entrevista é o primeiro livro de Werneck, ''Com Esperança no Coração: os imigrantes brasileiros nos EUA'' (Editora Augurium). Ele denuncia: ''O Brasil passou a exportar gente, deixou de ser um país de imigrantes para ser de emigrantes''. Na entrevista, fala ainda da profissão - tem 42 anos de jornalismo - comparando o que se produzia nas velhas redações, movidas a idéias saídas das máquinas de escrever, com a 'era internet'. Werneck afirma: ''Agora é perfeitamente possível um jornalista trabalhar em casa o tempo todo, no computador, via internet. Perde-se aquele clima de redação. Mas nem nas redações modernas talvez exista ainda o clima de redação que foi característico do jornalismo durante tantos anos - aquela criativa bagunça.''
Atenta a temas praticamente expurgados da grande imprensa, a revista cearense também traz neste número uma entrevista de impacto com o jornalista gaúcho Renan Antunes, ganhador do Prêmio Esso de 2004. Detalhe: ele foi vaiado pelos coleguinhas do eixo Rio-São Paulo quando foi receber o prêmio. Motivo? Eles não se conformavam com o fato de um profissional de jornal de bairro - Renan trabalha no 'Já' de Porto Alegre - ter faturado o maior prêmio da imprensa brasileira. A reportagem vencedora do Esso, reproduzida na Singular, é 'A tragédia de Felipe Klein' que trata da vida e da morte do filho do ex-ministro Odacir Klein. O garoto, um adepto da 'body modificacion' (expressão inglesa que define o comportamento das pessoas que fazem mudanças corporais), passou a vida colocando piercings, fazendo tatuagens, implantes e cirurgias. Ao morrer aos 20 anos, depois de se suicidar, cair ou ser atirado do nono andar de um prédio - há controvérsias sobre a causa da sua morte - tinha o corpo marcado por tatuagens bizarras, além de estar cravejado de piercings, ter bolinhas de silicone sob a pele e ostentar um detalhe impressionante: chifres de teflon implantados na testa. A história de Felipe Klein foi tratada nos jornalões apenas como mais um caso policial, comenta Renan Antunes que investiu na história transformando-a na reportagem sensível e surpreendente que lhe valeu o prêmio.
Além de produzir e apoiar o jornalismo crítico, a revista Singular também oferece entretenimento de bom nível. Exemplos são os cartuns de Carlus e as tiras de Denilson Albano e Guabiras. No número 12 ainda há muito mais na reportagem sobre o casario histórico dos bairros de Fortaleza, com fotos de Maurício Cals, e na reprodução de uma conversa entre os poetas Jorge Luís Borges e Roger Caillo na seção 'Diálogo Fugaz'. Em formato de bolso, a 'pequena notável' comprova que tamanho não é documento nem atestado de qualidade. A publicação é vendida nas bancas de Fortaleza e no 'corpo-a-corpo' em bares e outros espaços públicos por apenas R$ 2,00. Também pode ser adquirida pelo correio pelo preço de capa acrescido das despesas de envio. Informações pelo e-mail: [email protected]

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