PUBLICAÇÃO - Neto resgata jornal do avô
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quinta-feira, 03 de março de 2005
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
O chavão ''a vida imita a arte'' poderia ser aplicado aqui. Como o personagem Dirceu de Castro, protagonizado por José Mayer na novela da Globo ''Senhora do Destino'', o londrinense Rui Vergara também está colocando um antigo jornal de volta às bancas.
A idéia é resgatar o Correio Paranaense, que circulou na cidade entre 1954 e 1961, editado por seu avô. A nova versão chegou às bancas esta semana, com periodicidade semanal e tiragem inicial de 3 mil exemplares. Sem experiência no ramo, já que editou apenas um jornal estudantil, Rui ambiciona conquistar leitores na região.
''A distribuição alcançará 20 municípios'' informa o rapaz, que trabalha no setor de vendas de uma empresa de móveis para escritório. A linha editorial ''será bem diferente'' da publicação original avisa ele. ''O jornal de meu avô era de denúncia. O meu tem cara nova e é direcionado especialmente para os jovens trazendo cobertura de eventos e informações sobre cultura, meio ambiente e política. Quero conquistar esse segmento, que é meio preguiçoso para a leitura'' diz.
Os artigos e reportagens são assinados por advogados, médicos, estudantes, artistas e, claro, jornalistas. A cantora Gisele Almeida assina um artigo sobre o cenário musical londrinense na edição de estréia conta o empreendedor, que é neto de Pedro Vergara Corrêa, fundador do velho Correio Paranaense, que trabalhou na Folha e morreu em 1989 atropelado por uma motocicleta no centro de Londrina.
Ele assinala que a iniciativa de publicar um jornal em Londrina vem sendo acalentada há quase dez anos. A principal inspiração era o jornal de seu avô, que conheceu visitando o Museu Histórico. ''Ali eles mantêm sete números doados por um colecionador. São os únicos a que tive acesso, já que a família não guardou nenhum exemplar'' observa.
Na época, Rui atuava no movimento estudantil como presidente de grêmio de colégio e como secretário da União Londrinense dos Estudantes Secundaristas (ULES). Logo depois, tentou se aventurar na empreitada mas foi privado pelas circunstâncias. ''Me casei, mudei para Minas Gerais e cortei o embalo. Só recentemente, com minha volta à cidade, é que decidi retomar o projeto'' explica.
Rui revela que tirou R$ 1.300,00 do próprio bolso para rodar os 3 mil exemplares do primeiro número. Espera angariar anúncios publicitários para bancar as próximas edições. ''Se eu conseguir parcerias, planejo dobrar a tiragem, o número de páginas e futuramente transformá-lo em jornal diário'' completa. A primeira edição está sendo distribuída gratuitamente nas bancas.


