Obra da exposição ‘Rochas’: série envolve diversas técnicas e ‘erros’ no uso das tintas e impressão para produzir as artes
Obra da exposição ‘Rochas’: série envolve diversas técnicas e ‘erros’ no uso das tintas e impressão para produzir as artes | Foto: Fotos: Divulgação



Explorando várias técnicas que vão da serigrafia a impressões digitais, Zansky tornou-se em um dos maiores nomes do design gráfico contemporâneo. Com obras psicodélicas que modernizam a estética setentista e refletem fortes características autorais, o ilustrador já assinou trabalhos publicados em grandes editoras nacionais e internacionais, além de revistas como Super Interessante, Época Negócios e Quatro Rodas e projetos especiais para Microsoft e Puma. As criações do artista paulistano ganham destaque na 4ª edição da Feira Dobra que acontece em Londrina neste final de semana com duas exposições que poderão ser visitadas até o próximo dia 18, na Vila Cultural Grafatório.

Convidado para expor suas obras e ministrar um oficina na feira londrinense, Zansky selecionou obras inéditas que integram as exposições "Rochas", composta somente por trabalhos autorais, e "Seres Vivos", que reúnem desenhos produzidos pelo coletivo Rart Rixers, formado por ele em parceria com sua esposa Rebeca Catarina. "A exposição 'Seres Vivos' seria uma continuação da temática abordada na publicação de mesmo nome, porém, diferentemente da publicação em que tratamos dos reinos animais, na exposição trazemos mais especificidades, como roedores, aves, aracnídeos, etc. São oito desenhos 50cm x 70cm em pastel oleoso sobre papel preto criados no último mês. Já 'Rochas' é uma série de serigrafias de provas únicas impressas em 2015, porém inéditas ao público. Toda essa série envolve diversas técnicas e 'erros' no uso das tintas e impressão para produzir as artes. São oito serigrafias 50cm x 70cm sobre papel preto criados no último mês", detalha o ilustrador.

Zansky e Rebeca Catarina, do coletivo Rart Rixers, tendo ao fundo obras da exposição ‘Seres Vivos’
Zansky e Rebeca Catarina, do coletivo Rart Rixers, tendo ao fundo obras da exposição ‘Seres Vivos’



"O Zansky é um artista gráfico muito habilidoso que utiliza várias técnicas e se tornou uma referência em serigrafia no Brasil. Apesar de ser muito antiga, a serigrafia ainda é muito utilizada industrialmente para a produção de camisetas e sinalização de trânsito por proporcionar a impressão de cores com uma qualidade muito diferenciada. Ele se apropriou dessa característica para trazer uma pegada mais contemporânea ao estilo psicodélico dos anos 70, criando traços muito peculiares e criativos com cores muito vivas. Como já acompanhamos a trajetória dele há muito tempo, resolvemos convidá-lo para essas exposições", afirma Felipe Melhado, um dos organizadores da Feira Dobra.

Formado em Artes Plásticas e Desenho de Comunicação, Zansky trabalha com ilustração, pinta murais e é impressor e editor da Edições de Zaster, seu projeto de autopublicação artesanal no qual edita e imprime pôsteres, gravuras e publicações próprias e com artistas convidados. Em entrevista à FOLHA por e-mail, o artista gráfico falou sobre o atual cenário das artes gráficas nacionais, seu estilo de trabalho e também sobre as obras que compõem as exposições produzidas especialmente para a Feira Dobra de Londrina.

Como aconteceu sua aproximação com as artes gráficas?
Antes de trabalhar só com ilustração eu fazia design gráfico de impressos, então a produção gráfica faz parte do processo e também é um assunto que me interessa. Quando fazia artes plásticas na Unesp passei a integrar o coletivo Base-V no qual a arte reprodutível mais experimental era nosso principal foco onde fazíamos publicações e cartazes. É daí que começo a utilizar mais a serigrafia sobre papel e uso de processos mais históricos da técnica. Enfim, os processos de impressão sejam os automatizados, mecânicos e manuais me interessam pois cada um tem uma característica. Mas tenho utilizado mais a serigrafia, carimbos de fotopolímero e risografia como processos de reprodução dos impressos, seja da Edições de Zaster ou do Rart Rixers

Quais foram suas maiores referências profissionais?
Robert Rauschenberg, pelo uso de diversos processos de impressão para produzir as obras. Aloísio Magalhães e o Gráfico Amador, que inspira a Edições de Zaster. Palefroi, pelas publicações em serigrafia que produzem

Como define seu estilo?
As pessoas dizem que é psicodélico, ácido, mas acho que é por conta do uso das cores.

Qual avaliação faz do cenário nacional em relação às artes gráficas?
Desde que houve esse "boom" das feiras de publicação e arte impressa temos espaço para mostrar e trocar experiências tanto com quem produz quanto com o público. Isso é muito interessante pois você pode produzir algo hoje e amanhã já estar mostrando para as pessoas. Enfim, não ficamos mais a mercê de haver alguma loja/livraria que tenha esse tipo de produção acessível ao público.

Qual é o DNA do coletivo Rart Rixers? Quais similaridades e diferenças podem ser apontadas em relação aos trabalhos assinados por você em parceria com a Rebeca Catarina?
Rart Rixers é um projeto que começou no final de 2016 e já vem participando das feiras de publicações e arte impressa pelo Brasil. Somos eu e a ilustradora Rebeca Catarina com um ponto de partida bem simples: desenhar usando somente a mão oposta. No caso, somos destros portanto usamos a mão esquerda para produzir publicações, cartazes, imãs e o que acharmos conveniente para determinada arte ou projeto. Essa foi uma maneira também de "eliminar" os traços característicos de cada um, assim o projeto tem seu próprio traço, independente de nós dois.

Serviço:
Exposições 'Rochas' e 'Seres Vivos', com obras de Zansky e Coletivo Rart Rixers
Quando – De 8 a 18 de maio (de terça-feira a sábado, das 13h30 às 18h30)
Onde – Vila Cultural Grafatório (Av. Paul Harris, 1575)
Entrada gratuita

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