Psicanalista alerta para a importância da convivência
A família está em processo de mudança. Essa é a opinião do psicanalista Ailton Bastos, que destaca que antigamente a proximidade de avós, tios e primos promovia um modelo familiar diferente do atual. ''Antes as pessoas se visitavam mais e havia mais integração entre os adultos e as crianças. Hoje há uma segmentação cada vez maior, com atividades específicas para cada grupo. Veja as festas de crianças que agora são exclusivas a elas'', cita Bastos.
Sobre a adolescência, Bastos é ainda mais enfático, referindo-se aos adolescentes cada vez mais isolados em seus quartos, que acabam virando ''fortalezas''. ''Nessa fase sair com os pais acaba se tornando um programa chato e, consequentemente, o consumismo mais exacerbado'', alerta, indicando que essas características já começam a ser percebidas pelos alunos do Ensino Fundamental, sendo aí ainda mais importante a intervenção da escola.
E a falta de diálogo promove falhas na comunicação. ''Os adolescentes dominam os recursos do MSN, do Orkut, mas se é para fazerem um convite por telefone sentem dificuldades e muitas vezes recorrem aos pais para isso'', afirma. Na hora de estudar, ouvem música, observam a TV ligada, mexem no computador e assim vão criando um processo de atenção dividida, em que não há um foco definido.
Sentar à mesa, com a família reunida, mesmo nos finais de semana, passou a ser algo raro e a perda é de todos ao deixarem de escutar histórias de experiências de vida que poderiam enriquecer a todos. ''Muitos adolescentes são monossilábicos, não aprenderam a exercer a prática do diálogo'', diz. Bastos, porém, pondera que no passado os pais falavam pouco com os filhos, mas a frequência das reuniões familiares promovia um espaço aberto para a contação de histórias de vida e de superação de avós e outros parentes.
''Estamos passando por uma franca desvalorização do mundo que passou e tendo um olhar imediatista para o futuro. E a falta de convivência leva prejuízo a todos. É preciso mais interação entre as gerações. Viver bem o presente e nunca se esquecer que os jovens sempre precisam de referência para se tornarem adultos saudáveis'', conclui. (A.P.N.)





