Depois da moda dos cafés filosóficos e da recente proliferação dos ‘‘cibercafés’’, a psicanálise deixa o divã e o secreto murmúrio das sessões para experimentar um novo espaço: as animadas mesas dos bares parisienses.
Desde o mês de abril, três cafés precursores, ‘‘La chope des Vosges’’ no bairro de Marais, ‘‘Le metrô’’ em Pigalle ou ‘‘Le Juventus’’ perto de La Bastille, recebem cada um cerca de trinta fiéis paroquianos que, sob a batuta de um psicoterapeuta, vêm falar deles mesmos, se exporem ao olhar alheio e se iniciarem nos fundamentos da psicanálise.
A fórmula do ‘‘café psicológico’’ se inspira no surpreendente êxito dos bares filosóficos na França, mas com uma diferença: a reflexão se baseia na análise da vida de cada cliente, e não em grandes conceitos metafísicos.
‘‘A associação entre o bar e a psicanálise pode parecer incongruente, mas o café implica certa espontaneidade e isso é interessante. Não pretendo curar ninguém. O que me interessa é despertar as consciência’’, explica Maud Dehanne, psicoterapeuta, que anima as quintas ‘‘psicológicas’’ de La Chope des Vosges.
No ‘‘café psicológico’’ a palavra é rainha e se pretende livre de toda censura. ‘‘Aqui temos a impressão de que nada pode nos ocorrer. Pode-se fazer o que se deseja. Tudo parece mais simples’’, entusiasma-se uma cliente.
Os clientes, curiosos ou habitués do local, vêm esquecer, durante duas horas e pela módica soma de 10 francos (menos de 2 dólares), sua solidão, ‘‘comunicando-se com os outros, falando, para não ficarem sozinhos diante da televisão’’.
‘‘Quero tirar o aspecto dramático da psicanálisse. Sou uma vulgarizadora e estou orgulhosa disso’’, acrescenta Maud Dehanne.
No café ‘‘Metro’’ os debates são mais retóricos. ‘‘Não se trata de usar a terapia do balcão de bar’’, ironiza Michel Labbé-Laurent, que deseja essencialmente dar um ângulo didático às suas discussões.
Depois de uma exposição de meia hora sobre assuntos gerais como as relações no casamento, a importância dos mitos ‘‘na vida cotidiana’’ ou uma iniciação à história da psicanálise, Labbé-Laurent pede aos participantes para ‘‘refletirem por si mesmos, se expressarem e saírem do pensamento de casulo’’.
O terapeuta do café ‘‘Metro’’ busca ‘‘pôr os grandes conceitos ao alcance de todos, dar-lhes ferramentas e o papel de reveladores’’.
A próxima etapa será o lançamento de uma revista semanal com a ata dos debates do café e sessões consagradas à interpretação dos sonhos.

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