Provável fechamento do Teatro Núcleo I divide opiniões
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segunda-feira, 30 de setembro de 2002
Francelino França<br> Reportagem Local 
A notícia sobre o provável fechamento do Teatro Núcleo I, em Londrina, movimentou a comunidade artística local. A cidade referência teatral no País se ressente da falta de espaços cênicos adequados e reivindica mais locais para que a produção cultural seja dinamizada. O Teatro Núcleo I não se restringe somente a um barracão. Existe uma infra-estrutura específica e equipamentos que não podem se perder.
A Secretaria Municipal de Cultura abre o edital de inscrição para os projetos da Lei de Incentivo à Cultura no dia 3 de outubro. Os empreendedores cujos projetos necessitam de apresentações em espaços específicos devem apresentar carta de reserva de espaço. Com esse problema por resolver, os empreendedores ficam com opções reduzidas para apresentações.
''O espaço é do Núcleo I não é da Universidade. Não podemos arcar com despesas de particulares. Está parecendo que estamos querendo destruir um espaço cultural da cidade. Não é isso. Queremos transferir para um local maior e melhor'', afirma o diretor da Casa de Cultura, Kennedy Piau, que não entrou em detalhes sobre a mudança. Conforme informou Piau, a divisão de Artes Cênicas da Casa de Cultura (Viviane Eloy e Paulo Braz) foi comunicada da questão, apenas o grupo Núcleo I não recebeu a comunicação por escrito, diferentemente do que foi publicado na Folha de Londrina, edição do dia 29 de setembro.
Nitis Jacon, fundadora do grupo Núcleo I, funcionária da Casa de Cultura há 32 anos, afirma que o Núcleo I passa por um momento de transição na diretoria, sendo transferida a responsabilidade da administração do espaço à Amen (Associação dos Amigos da Educação e Cultura Norte do Paraná). ''O Teatro Núcleo I é histórico, ele não vai fechar. Ele existia antes do acordo com a UEL. Não se fecha um espaço porque se gosta ou desgosta dele'', repercute Nitis Jacon.
O professor do departamento de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina, Mauro Rodrigues, avalia que esse é um momento para que a sociedade organizada e instituições reavaliem suas posições. ''Talvez seja o momento de a prefeitura, a universidade e os produtores culturais andarem mais rápido com o bonde. É o momento também de repensarmos a construção do teatro municipal. Mas é preciso avaliar o custo desse convênio com a UEL'', opina. Nesse contexto, Mauro Rodrigues rememora que o primeiro teatro em Londrina foi construído por uma associação de livreiros, ou seja, a sociedade organizada tomou a iniciativa de suprir uma carência da cidade. De acordo com o professor, Londrina hoje poderia retomar esse caminho.
Maria Amélia Melo, atriz e diretora, observa que o Teatro Núcleo I deveria passar por uma revitalização e não estar na iminência de fechar. ''O Teatro Núcleo I é um exemplo de que a cultura pode estar em todos os lugares, inclusive num espaço que não era utilizado para a cultura e foi adaptado'', afirma. Para ela, esse é o momento para que as lideranças culturais e políticas encontrarem uma solução. Maria Amélia integra o espetáculo ''Picolino e os Cangaceiros'', direção e roteiro de Ricardo Queirolo, com o Circo de Palhaços do Picolino, em cartaz até o dia 27 de outubro no Teatro Núcleo I (Rua Quintino Bocaíuva, 1243).


