Rio, 17 (AE) - O ministro da Cultura, Francisco Weffort, não apareceu, nem o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Andrea Calabi. Mas a classe cinematográfica foi ao Palácio Gustavo Capanema, no Rio, hoje, prestigiar a assinatura do protocolo de intenções do Programa Mais Cinema 1999/2000, que destina R$ 80 milhões à produção, distribuição e exibição de filmes e outros produtos na área audiovisual nos próximos 18 meses. O acordo envolve, além do Ministério e do BNDES, o Banco do Brasil e o Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae).
O protocolo começou a ser desenvolvido em fevereiro quando Weffort promoveu uma reunião entre o presidente Fernando Henrique Cardoso com a Comissão de Cinema, que estava avaliando as leis de incentivo à atividade, especialmente a Rouanet e a do Audiovisual. As principais queixas dos cineastas eram a incerteza quanto a captação de recursos, que atrasava e encarecia as produções, e o fato de as leis visarem apenas a produção, criando uma situação em que os filmes eram concluídos mas não encontravam quem os distribuisse nem salas para exibí-los.
"A partir de agora, o cinema passa a ser tratado como uma indústria, que de fato é, com fundo de financiamento próprio junto ao BNDES e tratamento mais flexível por parte dos programas de exportação do Banco do Brasil", comemorava o secretário de Audiovisual do Ministério da Cultura, José álvaro Moysés, que representou o ministro Weffort e assinou o protocolo. "O BNDES sempre se preocupou com a atividade cinematográfica e a geração de empregos nesse setor e investirá quanto for preciso", completou o diretor executivo da Agência Especial de Financiamento à Produlção Industrial (Finame), Armando Marianti, que assinou por parte do BNDES. Cineastas - Entre os cineastas a reação foi da euforia a esperança cautelosa. Enquanto o produtor de "Chatô, o Rei do Brasil", Júlio Uchoa, exultava pelo fato de finalmente o cinema ser tratado pelas instituições econômicas como indústria e sem paternalismo, a vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria Cinematográfica, Marisa Leão, produtora de "Guerra dos Canudos", considerava o protocolo um avanço "que precisa ser completado por outras ações".
Marisa sempre defendeu o incentivo à distribuição e à exibição, para ela tão importantes quanto a produção. "A primeira coisa que um exibidor ou distribuidor pergunta quando lhe oferecemos um filme é que mídia essa produção terá", comentou ela. Segundo Moyses, o protocolo prevê este item, mas não determina a porcentagem destinada a cada etapa da atividade cinematográfica. "Como esse projeto é inovador, não quisemos estabelecer regras fixas", disse. "Preferimos deixar os fatos determinarem a melhor forma de agir".
Zelito Vianna, não só comemorava, mas contava ter sido o primeiro a se inscrever para conseguir recursos para terminar sua cinebiografia de Villa-Lobos. O filme já está em fase de finalização e ele vai busca meios de bancar a distribuição e, principalmente, o lançamento. "Essa parte está orçada entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, entre cópias e publicidade, e até ontem não estava previsto nas leis de incentivo", explicou Zelito.
O produtor Bruno Stropiana, de "O Xangô de Baker Street" e "Estorvo", a serem lançados até meados do ano que vem, pedia tempo para estudar melhor o assunto, mas achava interessante, "porque dá ao produtor um empréstimo, a juros menores que os do mercado, para prosseguir o filme enquanto a captação não chega". Quanto à inclusão da distribuição e da exibição no protocolo, ele considera altamente positivo. "Meu último filme, "Tiêta", foi lançado pela Columbia porque não havia outra empresa interessada".
Luiz Carlos Barreto, fazia coro com ele, ao lembrar que a única distribuidora brasileira de maior vulto, a Riofilmes "faz um bom trabalho, mas não dá conta de toda a produção". "Bossa Nova", previsto para o início do ano que vem, já tem distriBuidora estrangeira contratada. Cacá Diegues completava contando que se associou A Warner do Brasil para produzir "Orfeu", seu último filme, porque era a sua saída para fazê-lo chegar a um grande público. TVs públicas - O presidente da TV Educativa do Rio, Mauro Garcia
comemorava não só o protocolo, mas também o acordo feito com o Ministério da Cultura e o BNDES, pelo qual filmes brasileiros passarão a ser exibidos em rede, nas emissoras públicas de todo o País, inclusive a TV Escola, a partir de setembro. Desde o ano passado, quando o BNDES começou a financiar documentários e filmes de ficção, seu alvo era a televisão pública. "Com isso títulos importantes como "Chica da Silva", "O Descobrimento do Brasil", "Quatrilho" e outros chegarão ao grande público através da tevê", disse Mauro.

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