Protesto em cena aberta
A idealizadora do tributo ao patriarca Caymmi, Nana, não foi à passagem de som e, por isso, não concedeu entrevista. Alegando não estar passando bem, ficou no hotel. Se estava mal à tarde, à noite Nana estava afiada. No palco além de fazer interpretações emocionadas das músicas do pai a cantora falou da conservação do Teatro Guaíra. ''Quero saber de quem é o teatro?'' perguntou ao reclamar dos camarins não apresentarem condições para recebê-la. ''Não tem nem cabides para pendurar a minha roupa'', disse. Na platéia as reações foram diversas. Os mais apaixonados pelo governo do Estado, responsável pela administração do Guaíra, responderam que o ''Teatro é do povo'' e alguns cometeram a indelicadeza de a mandarem voltar a cantar. ''Eu canto, mas da próxima vez eu volto para fazer política'', disse.
Depois do show, já no camarim, Nana Caymmi recebeu a visita do Diretor Administrativo e Financeiro do Teatro, Altair Sebastião Dorigo. Ele queria explicar o que está acontecendo com a manutenção do local. Disse que já foram investidos R$ 150 mil por lá e o descaso da manutenção é fruto de oito anos de abandono, tempo em que Jaime Lerner ficou no poder. Para Nana, as explicações de nada adiantaram. ''Esse é um problema dos teatros brasileiros. Eu não quero isso só para mim não. Eu quero para a Ana Botafogo poder vir dançar, para todos os artistas'', comentou. (A.C.G.)





