A resistência ao projeto de lei que regulamenta o horário de funcionamento de bares e restaurantes em Londrina, foi reforçada no último fim de semana com a adesão de um grupo de artistas, intelectuais e produtores culturais. Um manifesto foi lançado contra a iniciativa. A carta será encaminhada oficialmente nesta quinta-feira aos vereadores e ao prefeito Nedson Micheleti.
Apelidado de ''lei seca'', o projeto de lei Nº008/2005 da Câmara Municipal de Londrina propõe, entre outras medidas, proibir o funcionamento de bares a partir das 23 horas; impor uma série de normas ao funcionamento de restaurantes, pizzarias e lanchonetes; além de criar restrições à realização de shows artísticos e eventos em geral sejam em locais públicos ou privados, abertos ou fechados.
Sete audiências públicas já foram realizadas para discutir o assunto na Câmara Municipal. O polêmico projeto de lei, de autoria dos vereadores Gláudio Renato de Lima (PT), Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) e Paulo Arildo (PSDB), pretende diminuir a violência durante a madrugada, horário em que - de acordo com dados da polícia - é maior o número de crimes. O manifesto dos produtores culturais contesta a proposta.
''Queremos segurança para viver e não viver para ter segurança'', assinalam os signatários. Um dos organizadores do movimento, o produtor cultural e ex-diretor da Casa de Cultura da UEL Kennedy Piau, questiona a ''mentalidade que norteia o projeto de lei''. ''Este discurso sobre a segurança, disfarça uma mentalidade controladora e repressiva'', diz.
O manifesto vai adiante com as críticas. ''Economicamente o projeto concentra renda, restringe o consumo dos mais pobres e aumenta o desemprego. Os donos de bares e restaurantes que têm dinheiro para se adequar manterão seu negócio 24 horas e terão mais chances de ganhar dinheiro. Os donos de bares e restaurantes que não têm recursos fecharão mais cedo e terão menos condições de se manter.''
De acordo com eles, o projeto é elitista. ''Quem tem dinheiro frequentará espaços mais caros depois das 23 horas, quem não tem dinheiro, a maioria de nós, terá restrições ao lazer'', afirmam. Ainda segundo eles, o projeto gera desemprego impondo difuldades à realização de atividades artísticas. ''Muitos eventos de comprovada qualidade e que complementam a renda de músicos, agentes culturais e demais trabalhadores da Cultura de Londrina deixarão de existir. Por outro lado, vários bares e restaurantes que ainda mantém música ao vivo e garantem a renda de muitos músicos, garçons, cozinheiros e demais trabalhadores na noite fecharão'', argumentam.
Ao final do manifesto, salientam que o bar é um espaço de sociabilidade, de troca, de celebração do prazer, da amizade e da vida. ''É uma instituição social onde muitas vezes compomos uma música, escrevemos um poema e iniciamos e solidificamos amizades. No bar cultivamos paixões, rimos, beijamos, cantamos, dançamos e choramos juntos. Sempre existiram bares em Londrina e nem sempre existiu este nível de violência. Os bares são anteriores a esta violência e, portanto, não podem ser sua causa'', escrevem.
Entre os signatários estão Leonardo Ramos (diretor do Ballet de Londrina), Josimar Paes de Almeida (historiador e professor da UEL), Patrícia Castro (coordenadora do Projeto de Ação Cultural da UEL), Apolo Theodoro (jornalista e ator), Marquinhos Diet (músico), Sabrina Vargas (cantora), Banda Mamaquila, Banda Matitaperê, Banda Búfalos D'Água, Banda Santeria, Banda Os Beto, Banda Resistência Reggae e outras. Eles informam que o manifesto está aberto a novas adesões.

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