Proteção para os museus
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de julho de 1997
Célia Polesel Londrina 
Os museus de Londrina estão mais seguros. O Museu de Arte ganhou grades de proteção e nesta semana será iniciada a colocação das grades do Museu Histórico Padre Carlos Weiss. Os dois estão com projetos de revitalização e reforma em andamento e em breve pretendem reabrir as portas para o público.
Todo o trabalho de restauração desses prédios respeita, acima de tudo, o estilo arquitetônico com que foram concebidos. E o que é mais importante: pessoas da comunidade criaram associações que estão trabalhando para obter os recursos necessários para a realização das obras. As grades de proteção do Museu de Arte foram obtidas graças à colaboração de várias pessoas e empresas. Segundo Ana Maria Barreto, integrante da Sociedade dos Amigos do Museu de Arte de Londrina - Samalon -, as grades são necessárias principalmente por causa da localização do museu, que fica numa área de grande fluxo de pessoas, e da fragilidade do prédio, que possui muitos vidros.
Além disso, no jardim do museu serão colocadas três esculturas - entre elas uma gigantesca, do escultor Cacipore - doadas pelos próprios artistas, e que precisam estar protegidas da ação de vândalos. Conseguimos colocar uma grade feita com um dos ferros mais reforçados, pois as empresas, além de doarem uma parte do material, fizeram preços mais acessíveis. A Gerdal e Sulferraço contribuíram com o material e a Associação Comercial e Industrial e a empresa Unipar com a mão-de-obra necessária para a realização do trabalho, destaca.
A iluminação do Museu de Arte de Londrina também está em fase de conclusão. A Incolustres fará parte da instalação gratuitamente e a Ponte de Luz Craft conseguiu as lâmpadas pelo preço de custo. São 130 lâmpadas especiais que fazem a iluminação dos quadros. No momento, a prioridade é a obtenção de ar condicionado, pois o museu é muito quente e sem ele não é possível colocar os quadros em exposição.
O projeto paisagístico foi feito, gratuitamente, por Fabíola Giocondo, que conseguiu inclusive algumas plantas, explica Ana Barreto, que pretende pedir também a colaboração da AMA - Autarquia do Meio Ambiente. Ela conta ainda que a biblioteca do Museu recebeu a doação de mais de 100 livros de arte e que a sala de vídeo também já está obtendo os equipamentos para a sua instalação através de doações feitas pela comunidade.
Ana Barreto ressalta que qualquer ajuda é muito bem-vinda, pois o Museu precisa de praticamente tudo, mas principalmente de dinheiro para a conclusão das reformas na parte física. Pretendemos reabrir o Museu em setembro, mesmo tendo ainda várias coisas para fazer, mas como pretendemos fazer tudo com qualidade e com um preço acessível, iremos continuar o trabalho após a inauguração, contando sempre com as doações da sociedade e das empresas londrinenses, explica Ana Barreto.
Museu Histórico O Museu Histórico Padre Carlos Weiss também sentiu a necessidade de colocar grades, pois se localiza na mesma área de grande fluxo do Museu de Arte. Além disso, existem problemas criados por viciados que usam o pátio do museu para se drogarem e de indivíduos que se escondem no local, principalmente à noite. Com a proteção das grades poderemos oferecer uma maior segurança aos nosso visitantes- explica Elenice Morato Dequech, integrante da Sociedade dos Amigos do Museu.
Muita gente deixa de vir ao museu por medo, porque aqui é uma área onde, infelizmente, existe muita violência - acrescenta Elenice. Segundo ela dentro de no máximo dois meses os 400 metros lineares de grade estarão instalados. A mão-de-obra foi cedida pela Prefeitura e o material foi comprado pela Sociedade dos Amigos do Museu, que obteve o dinheiro através de doações.
Também por causa da falta de segurança, o museu já deixou de trazer várias mostras itinerantes, como por exemplo as réplicas das roupas usadas por Dom Pedro l. Ela explica que com a instalação das grades será possível fazer um projeto paisagístico histórico, ou seja, serão plantadas ali espécies nativas, além do café, que faz parte da história da cidade. Com isto, o museu quer criar um espaço onde as famílias possam ao mesmo tempo conhecer um pouco mais da história e desfrutarem de momentos de lazer.
Quando as reformas estiverem concluídas pretendemos trazer atrações para se apresentarem nos jardins do museu, como músicos, malabaristas, artistas que proporcionem diversão e cultura aos nossos visitantes, conta Elenice Dequech. O principal objetivo da reforma do museu é o resgate histórico tanto do prédio em si como do acervo. Nós estamos sendo assessorados por Cristina Maria Bruno, doutora em Museologia. Tudo que fazemos é sob a orientação dela para que o trabalho seja o mais profissional possível.
Todo o acervo do Museu está sendo catalogado e todas as áreas serão informatizadas. Com os dados técnicos (altura, largura, estado de conservação, procedência, descrição, dos objetos, fotos e documentos) armazenados nos computadores ficará mais fácil controlar e identificar cada peça. Através destes dados poderemos conservar melhor as peças, ficando mais fácil saber quando se faz necessária a restauração, ou ainda do que dispomos para organizar uma mostra, explica Elenice.
Cristina Bruno estará no Museu do dia 4 a 8 de agosto, para planejar a museografia e definir o que ficará em exposição permanente. O espaço cultural do pioneiro já está definido e, entre outros objetos, nele ficarão expostas 33 fotos inéditas dos pioneiros de Londrina que estarão em ordem histórica. As molduras antigas estão sendo restauradas por Eduardo Scarazato e Vera Lobo está fazendo o paspatur em xilogravura. Os trabalhos estão ficando belíssimos e serão uma forma de homenagear os pioneiros.
Segundo Elenice, o que falta conseguir ainda são as vitrines para as exposições. São necessários R$ 35 mil para comprá-las e o museu está tentando obter o dinheiro junto à Secretaria de Cultura do Estado. As reformas da parte física estão com 70% das obras concluídas. O museu terá na sua entrada uma escada para facilitar o acesso, um elevador para paraplégicos e a ainda será consultada uma associação de deficientes para obter informações de como facilitar o acesso para os deficientes visuais.
O projeto de iluminação do Museu Histórico foi doado pela Philips do Brasil, agora só faltam os recursos para instalação pois são necessárias lâmpadas especiais para não danificarem o acervo. Para Elenice Dequech, um dos aspectos importantes na restauração dos dois espaços históricos de Londrina é a mobilização da comunidade, que através das associações está buscando recursos para auxiliar as reformas e a manutenção dos museus.
Assim como nós e a Samalon estamos trabalhando pelos museus, outros grupos poderiam se mobilizar para cuidar de outros pontos históricos e turísticos de Londrina. O importante é respeitar as características da construção e trabalhar com profissionais que realmente saibam preservar e valorizar a história e a cultura da cidade. Faremos nosso trabalho no Museu Padre Carlos Weiss aos poucos, pois os recursos não são muitos, mas queremos que tudo seja feito com a maior qualidade.


