Protagonistas de 'Os 3' mostram intimidade em reality show
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sexta-feira, 02 de dezembro de 2011
Luiz Carlos Merten 
São Paulo - Nando Olival, que dividiu com Fernando Meirelles a direção de ''Domésticas'', trabalhou um ano e meio num projeto sobre turismo sexual. O filme tinha o título provisório de ''Round Trip'' e foi abortado em cima da filmagem. Decidido a investir na carreira, Olival não vacilou - fez, como diz, um empréstimo para si mesmo e começou a rodar, com dinheiro próprio o longa ''Os 3''.
Ao apresentar ''Os 3'' no Festival do Rio, o diretor foi modesto. Creditou a importância do filme, se ele tem alguma importância, ao trio de atores que topou fazer a história comprometida com o desejo de colocar na tela a sensualidade da juventude. Todos são talentosos, mas guarde o nome da protagonista feminina, Juliana Schalch. (Os outros são Gabriel Godoy e Victor Mendes). Pode estar nascendo uma estrela.
''Os 3'' surgiu na base da urgência. O diretor, que se define como um homem tímido, quis falar sobre o turbilhão de sentimentos da juventude, mas evitou o que seria mais fácil. ''Queria o turbilhão, mas não as gírias, as músicas da juventude atual. Num certo sentido, é a juventude de sempre.'' Pai de três filhos - de 20, 18 e 15 anos -, Olival preocupa-se com a exposição da garotada no Facebook, por exemplo. Resolveu esgarçar. Os jovens de seu filme entram para um reality show. Esfregam-se sem nenhum pudor na tela.
''A gente encarou o tema sem aflição. Somos atores, se a gente não conseguir trabalhar com o corpo não pode estar nesta profissão'', avalia Juliana. Olival via o trio tão desinibido que tinha medo de não conseguir imprimir aquela sensualidade na tela. Sob certos aspectos, ele ainda descobre o filme que fez. ''No Festival de Paulínia, os temas da droga e do sexo criaram certa tensão. O filme foi visto como um drama. No Rio, mais cosmopolita, a reação do público foi mais leve.''
Dois homens e uma mulher, a referência óbvia é ''Jules e Jim'', de François Truffaut. ''Não costumo trabalhar com referências, mas sugeri que vissem o filme de Truffaut.'' Num dos sets, ele descobriu o pontilhão onde, logo no começo, o trio corre, reproduzindo uma cena famosa de ''Uma Mulher para Dois''. ''Foi uma maneira de esgotar logo as possíveis ramificações do outro filme.'' Olival dispensou a figura do preparador de elenco. ''Ele foi ótimo, deixou a gente totalmente à vontade'', diz Juliana. Contratada pela Globo, ela grava a minissérie ''O Brado Retumbante'', de Euclydes Marinho. ''Faço outra adolescente, mas muito diferente, a filha do mais jovem presidente do Brasil.''


