Protagonista, sem medo
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de junho de 1997
Fábio Dobbs TV Press 
Com quatro anos de carreira na tevê, Rodrigo Santoro se considera com experiência suficiente para protagonizar uma novela. Não me deram o papel por que tenho uma carinha bonitinha, acredita o ator. Rodrigo é Léo, um mecânico de helicóptero, que vive um triângulo amoroso com Sofia, papel de Beth Lago, e Luiza, interpretada por Natália Lage, na novela O amor está no ar.
Nem a responsabilidade de fazer o primeiro protagonista parece amedrontar Rodrigo. Não trabalho para a crítica, mas para o público, enfatiza. Para ele, o importante na profissão de ator é conseguir entreter os telespectadores. Uma vez cumprida essa tarefa, ele se dá por satisfeito.
Apesar de demonstrar pouca preocupação com as críticas, Rodrigo afirma que vai utilizá-las como forma de crescimento. Estou aberto para as críticas. Não sou perfeito e estou apenas no começo, reconhece. Na tentativa de fazer um bom trabalho, Rodrigo empenha-se integralmente. Quando não estou gravando, estou estudando o texto, assegura.
Para compor o personagem, o ator segue um raciocínio um tanto caótico. Busco inspiração em diversos lugares. Pode ser num cinzeiro ou num cachorro, tenta explicar. O papel do mecânico Léo, fez Rodrigo cortar e clarear os cabelos e ainda raspar o incipiente cavanhaque.
A necessidade da mudança foi mais em função de diferenciar o personagem do Serginho, que interpretou em Explode Coração. O Serginho marcou muito o público, pensa. Segundo o ator, o Serginho era um papel pequeno e foi ganhando importância na novela, principalmente, por causa do seu romance com uma mulher mais velha, a personagem Beth, papel de Renée de Vielmond.
Para dificultar ainda mais o esforço de Rodrigo em tornar Léo um personagem singular, o romance com uma mulher mais velha, nesse caso Sofia, também existe na novela. A solução será trabalhar com a sutileza de pequenos detalhes, como o figurino e os gestos, ensina.
O maior problema que Rodrigo vê em Léo é o fato de ele ser muito normal. O ator admite que é muito mais difícil fazer esse tipo de personagem do que um estereotipado, como um mau-caráter, um drogado ou um doente. Faria mais facilmente esses tipos porque a composição iria me ajudar muito, avalia.
Basicamente, o Léo é um mecânico de 25 anos com uma estrutura de vida conflituosa. Ele perdeu o pai e a mãe quando era criança e isso fez com que tivesse de preparar-se para a vida muito cedo. Acabou tornando-se independente, seguro de si e consegue manter-se centrado em situações desesperadoras. Ele é decidido, assim como eu. Não fico esperando nada cair do céu, diz.
Esta seria, segundo o ator, a única característica que teriam em comum. A minha vida é bem diferente. Meus pais me apoiam até hoje, afirma.
A ligação de Rodrigo com o pai, a quem atribui grande importância na sua carreira, é explícita. Foi com o pai que o ator aprendeu a máxima que orienta seus passos: O segredo é aproveitar todos os momentos da vida.


