Com quatro anos de carreira na tevê, Rodrigo Santoro se considera com experiência suficiente para protagonizar uma novela. ‘‘Não me deram o papel por que tenho uma carinha bonitinha’’, acredita o ator. Rodrigo é Léo, um mecânico de helicóptero, que vive um triângulo amoroso com Sofia, papel de Beth Lago, e Luiza, interpretada por Natália Lage, na novela ‘‘O amor está no ar’’.
Nem a responsabilidade de fazer o primeiro protagonista parece amedrontar Rodrigo. ‘‘Não trabalho para a crítica, mas para o público’’, enfatiza. Para ele, o importante na profissão de ator é conseguir entreter os telespectadores. Uma vez cumprida essa tarefa, ele se dá por satisfeito.
Apesar de demonstrar pouca preocupação com as críticas, Rodrigo afirma que vai utilizá-las como forma de crescimento. ‘‘Estou aberto para as críticas. Não sou perfeito e estou apenas no começo’’, reconhece. Na tentativa de fazer um bom trabalho, Rodrigo empenha-se integralmente. ‘‘Quando não estou gravando, estou estudando o texto’’, assegura.
Para compor o personagem, o ator segue um raciocínio um tanto caótico. ‘‘Busco inspiração em diversos lugares. Pode ser num cinzeiro ou num cachorro’’, tenta explicar. O papel do mecânico Léo, fez Rodrigo cortar e clarear os cabelos e ainda raspar o incipiente cavanhaque.
A necessidade da mudança foi mais em função de diferenciar o personagem do Serginho, que interpretou em ‘‘Explode Coração’’. ‘‘O Serginho marcou muito o público’’, pensa. Segundo o ator, o Serginho era um papel pequeno e foi ganhando importância na novela, principalmente, por causa do seu romance com uma mulher mais velha, a personagem Beth, papel de Renée de Vielmond.
Para dificultar ainda mais o esforço de Rodrigo em tornar Léo um personagem singular, o romance com uma mulher mais velha, nesse caso Sofia, também existe na novela. ‘‘A solução será trabalhar com a sutileza de pequenos detalhes, como o figurino e os gestos’’, ensina.
O maior problema que Rodrigo vê em Léo é o fato de ele ser muito normal. O ator admite que é muito mais difícil fazer esse tipo de personagem do que um estereotipado, como um mau-caráter, um drogado ou um doente. ‘‘Faria mais facilmente esses tipos porque a composição iria me ajudar muito’’, avalia.
Basicamente, o Léo é um mecânico de 25 anos com uma estrutura de vida conflituosa. Ele perdeu o pai e a mãe quando era criança e isso fez com que tivesse de preparar-se para a vida muito cedo. Acabou tornando-se independente, seguro de si e consegue manter-se centrado em situações desesperadoras. ‘‘Ele é decidido, assim como eu. Não fico esperando nada cair do céu’’, diz.
Esta seria, segundo o ator, a única característica que teriam em comum. ‘‘A minha vida é bem diferente. Meus pais me apoiam até hoje’’, afirma.
A ligação de Rodrigo com o pai, a quem atribui grande importância na sua carreira, é explícita. Foi com o pai que o ator aprendeu a máxima que orienta seus passos: ‘‘O segredo é aproveitar todos os momentos da vida’’.

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