Âncoras e repórteres de tevê precisam lidar com muito mais do que apurações e notícias. Dependendo da postura e do carisma de cada um, a rotina em frente às câmaras pode acabar "celebrizando" a imagem do profissional. Aliado a isso, propostas das emissoras, a própria vontade em trilhar caminhos mais ligados ao entretenimento, além de polpudos salários e ações de "merchandising acabam por alterar a rota de algumas carreiras.
Os exemplos mais recentes dessa transição são Patrícia Poeta e Ana Paula Padrão. Patrícia deixou o "Jornal Nacional" para assumir um programa na linha de shows da Globo. O formato ainda está em desenvolvimento e a estreia está prevista para 2015. "Ver esse programa nascendo e ganhando forma é muito especial. É como se fosse a realização de um sonho. Eu sempre procurei me preparar bastante para investir nessa nova carreira", justifica Patrícia, que deixa a bancada do JN no dia 3 de novembro.
Já Ana Paula tinha rescindido seu contrato com a Record para trabalhar em empreendimentos pessoais. Mas acabou atraída por um convite inusitado da Band: ser apresentadora da versão nacional do "MasterChef", famoso reality show de culinária. "Saí da Record sem perspectivas de voltar para a tevê tão cedo. Aceitei mergulhar nesse projeto por entender que seria repórter, mas de um jeito mais leve, diferente. Posso ser mais espontânea, mais eu. E agora garanto: bancada nunca mais", ressalta Ana Paula, brincando com seu cansaço em comandar um telejornal.
As jornalistas se juntam ao rol de muitos que trocaram os frios estúdios do telejornalismo para se dedicar a produções de tom informal e animar plateias. Fausto Silva começou como repórter esportivo e há décadas está à frente do "Domingão do Faustão". A convite da Band, Datena acumulou a apresentação do policialesco "Brasil Urgente" com o game show "Quem Fica em Pé?". Britto Júnior largou o cargo de repórter na Globo e seguiu rumo à área de entretenimento da Record, em programas como "Hoje em Dia" e o reality "A Fazenda".
Um dos casos mais famosos dessa troca de função é Pedro Bial, que, após coberturas e entrevistas históricas, todos os anos comanda o controverso, mas extremamente rentável, "Big Brother Brasil". Atualmente, ele ainda segue apresentando o "Na Moral" em esquema de temporada. "Gosto muito do trabalho que faço à frente do 'BBB'. A natureza humana é sempre imponderável e é a grande matéria-prima do programa", filosofa.
Dos casos recentes, o exemplo mais bem-sucedido dessa alteração de percurso é Fátima Bernardes. Depois de muitos anos dedicados à reportagem e a acompanhar William Bonner na bancada do "Jornal Nacional", ela assume que se descobriu na função de apresentadora com o matinal "Encontro com Fátima Bernardes".
No ar desde 2012, o programa passou por alguns períodos de audiência oscilante, mas segue como líder em seu horário. "Todo início é complicado, mas acho que hoje o programa flui muito bem, é diversificado e já conquistou seu público. Fora que me sinto muito mais segura ao lidar com as possibilidades de um programa que mistura muitos temas", detalha Fátima.
Além da rentabilidade comercial, o programa elevou a confiança e imagem de "venda" da apresentadora. Garota-propaganda da marca de produtos alimentícios Seara, especula-se que ela tenha embolsado cerca de R$ 10 milhões pela campanha.

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