Mais um passo foi dado para a viabilizar a construção do Teatro Municipal em Londrina. Na manhã de ontem, representantes da comunidade artística entregaram um documento ao prefeito Nedson Micheleti contendo propostas para a elaboração do projeto arquitetônico do futuro complexo cultural.
A próxima etapa será a realização de um concurso nacional de projetos, sob coordenação do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB)/Departamento Paraná. O documento foi desenvolvido por uma comissão indicada pelo Conselho Municipal de Cultura e que vinha trabalhando no material desde o início de fevereiro.
O grupo de estudos é integrado por Luiz Bertipaglia (diretor geral do Filo), Leonardo Ramos (coreógrafo e diretor do Ballet de Londrina), Francelino França (jornalista, roteirista e produtor teatral), Cláudio Garcia (artista plástico) e Magali Kleber (musicista e docente da UEL) com acompanhamento de André Sell e Cíntia Queiroz (representantes do Instituto de Arquitetos do Brasil/IAB).
Também atuante na formulação das propostas, o Secretário Municipal de Cultura Luciano Bitencourt é o único representante oficial do grupo. No encontro com o prefeito, estiveram presentes integrantes da comissão, do Conselho, além de um grupo de artistas e produtores culturais do município. ''O documento contém as linhas gerais sobre o teatro desejado pela comunidade. É ele que vai servir de base para a elaboração do concurso de anteprojetos arquitetônicos'' salienta Bitencourt, que assina o texto de apresentação do material.
O documento inclui um texto do poeta, dramaturgo e tradutor Maurício Arruda Mendonça que traça um breve histórico das salas de teatro londrinenses e mapeia a paisagem arquitetônica da cidade. Traz também um texto de Francelino França discutindo conceitos de edificações teatrais. Além das discussões em grupo, as propostas foram submetidas à uma audiência pública, realizada há duas semanas.
Chegou-se a um consenso para que o teatro municipal seja um grande centro cultural comportando três salas para atender as necesidades de Londrina uma sala principal de espetáculos com palco italiano, fosso de orquestra e capacidade para até 1.200 lugares; uma sala média com palco italiano com 400 lugares; e uma sala multifuncional para espetáculos experimentais com 300 lugares. Pela proposta, o espaço contaria ainda com 5 salas didáticas para abrigar ensaios, práticas artísticas e atividades pedagógicas.
Para Leonardo Ramos, o documento é ''uma tentativa de criar uma lógica entre o ideal e o possível'', podendo servir como ''uma moderna ferramenta na elaboração do projeto final''. ''Realizamos sucessivas reuniões desde que o grupo se juntou. Se continuássemos detalhando as propostas, nem precisaríamos de arquitetos e sim de mestres de obras. Fizemos a nossa parte. Eu conheço mais de 50% dos teatros do País. O de Londrina será provavelmente um dos melhores, aproximando-se do nível do Palácio das Artes (Belo Horizonte-MG) e do Teatro Castro Alves (Salvador-BA)'' sublinha.
Luis Bertipaglia, por sua vez, ressalta o bom andamento do processo. ''A administração municipal está demonstrando disponibilidade para tocar o projeto'' diz. ''As coisas estão se encaminhando bem. Pelo porte da obra, acredito que em dois ou três anos o Teatro Municipal esteja pronto, desde que sua construção não seja emperrada por problemas burocráticos ou por falta de recursos''.
O valor da obra, aliás, continua no plano das especulações. Fala-se algo em torno de R$ 30 milhões. Ao receber os artistas ontem em seu gabinete, o prefeito fez declarações que deixaram os presentes satisfeitos. ''A parte dos recursos que tínhamos para investirmos na compra do terreno, por exemplo, já vou colocar na obra, uma vez que tivemos o terreno doado por empresários. Assim, teremos recursos pelo menos para o início da obra. Estou confiante. Agora vamos buscar parcerias com os governos federal e estadual'' assinalou.
O grupo de empresários, liderado pelo imobiliarista Raul Fulgêncio, negociou uma área próxima ao Marco Zero do município, localizado na região leste, onde funcionava a antiga Anderson Clayton. A área total abrange 240 mil metros quadrados, sendo 20 mil metros quadrados destinados para a construção do teatro. De acordo com o prefeito, o próximo passo é a contratação do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) para realizar o concurso nacional de projetos.
Essa etapa tem a duração de seis meses. Após a escolha do vencedor, segue-se a elaboração de projetos complementares de engenharia, parte elétrica, cálculo estrutural e outros. Com base em tal cronograma, a licitação da obra está prevista para março de 2007.
(Colaborou Cristiane Oya)

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