Zeca Corrêa Leite
O dia 24 de junho de 1979 caiu num domingo. O extinto ‘‘Diário do Paranᒒ trazia para seus leitores a estréia de uma página dedicada à publicidade, batizada de ‘‘Ponto de Venda’’, assinada por Ney Alves de Souza. Era a segunda tentativa que ele fazia no mesmo jornal - dez anos antes ensaiara uma coluna com esse nome.
Passados 20 anos Alves de Souza mantém a ‘‘Ponto de Venda’’, com a mesma paixão dos primeiros tempos. Depois de passar por outros matutinos, ingressou na Folha em março de 1994. A coluna sai às segundas-feiras na Folha Economia.
Porém, entre seus afazeres - Ney é redator publicitário, escreve textos de marketing e roteiros de audiovisuais -, ele ainda se dedica ao livro que está escrevendo sobre a história da propaganda no Paraná com previsão de lançamento para o início de dezembro.
Sua origem está nas páginas do jornal ‘‘19 de Dezembro’’, fundado em 1854. Os primeiros anúncios sobre compra e venda de escravos, aluguel de casas e assuntos correlatos constituíram-se nas primeiras peças publicitárias de que se tem notícia no Estado.
Ao mesmo tempo em que elabora a obra que conta mais de um século de propaganda, o autor não descuida de uma de suas paixões que é a coluna semanal publicada pela Folha. Em duas décadas de trabalho contínuo, ele testemunhou - e noticiou - as mudanças do cenário, tempos de euforia e traumatismos financeiros, o fechamento dos escritórios de grandes empresas paulistas que aos poucos voltam ao Paraná.
Qual seria o melhor momento da propaganda no Estado? ‘‘Como criação é agora. Vem de dois, três anos para cᒒ, responde. Enfim, está aí ‘‘uma safra muito boa de criadores’’, que está na Master, Heads, Exclam, Opus, entre outras agências.
Prova de que a criatividade está em alta pode ser avaliada pelo grupo de profissionais que embarcou sexta-feira passada para Cannes, para acompanhar o Festival Internacional da Propaganda. Foram como concorrentes num evento que reúne algumas das melhores peças de todo o mundo.
‘‘Em termos de premiação, o Paraná é praticamente o terceiro no Brasil, se não for o segundo’’, diz Ney Alves. O Rio de Janeiro não vive seus melhores momentos; lá o negócio publicitário caiu muito. As grandes agências transferiram-se para São Paulo. Ficaram algumas sucursais.
A boa fase do setor no Paraná logicamente torna mais fácil o trabalho da coluna, confirma o publicitário, muito embora ‘‘a gente dê preferência para o noticiário local. A coluna tem opinião e informação’’.
Muitos dos leitores de ‘‘Ponto de Venda’’ reclamam com seu titular da falta de agressividade. Para eles é preciso carregar nas tintas, dar um tom mais enérgico na crítica. Alves de Souza não pensa assim: ‘‘Não tenho por que fazer isso. Às vezes, se não gosto de alguma coisa, posso até falar sutilmente. Mas, geralmente, ignoro.’’
É o melhor remédio, especialmente para aqueles que tudo fazem justamente tentando se transformar em notícia, ‘‘aparecer’’. Sem disposição para manter egos inflados, o colunista simplesmente ignora. ‘‘Só o fato de eu nada comentar a respeito, é porque já estou criticando’’, encerra com galhardia.Ney Alves de Souza, o criador da coluna ‘‘Ponto de Venda’’ que está completando 20 anos, escreve um livro para resgatar a história da propaganda no Paraná
Alessandra HaroNa coluna ‘‘Ponto de Venda’’, Ney Alves de Souza prefere a sutileza: ‘‘Se não gosto de alguma coisa, geralmente ignoro’’

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