A Rede de Promotores Culturais da América Latina e do Caribe, organização que visa promover o intercâmbio de artistas e romper o isolamento geográfico e cultural dos 22 países participantes, encerrou ontem a nona edição do seu encontro anual, em Londrina, com boas notícias para a virada do milênio. A mais importante delas é que a Fundação Rockefeller, dos Estados Unidos, mantenedora da organização, reafirmou seu compromisso com a Rede por três anos, num contrato de US$ 1,050 milhão.
A presidente da Rede, Mari Torres-Hutchinson, de Porto Rico, acompanhou os sete dias de encontro e declarou que o aval da fundação significa mais que o apoio financeiro. ‘‘É como uma carta de apresentação de uma fundação muito importante que legitima a Rede’’, diz.
Embora o curto espaço de tempo para organizar a reunião em Londrina - 15 dias - tenha gerado algumas dificuldades, a opinião da diretora administrativa da Rede, Nitis Jacon, é de que o evento foi importante pelo nível de suas discussões, não somente relacionadas a mudanças de estrutura, mas pelo caráter evolutivo adquirido. ‘‘Considero que a Rede sempre teve pessoas interessadas nesta evolução, no entanto, foi a gestão de Mari Torres que deu maior abrangência e solidez à organização. Essa administração tem um papel muito importante no milênio’’, completa.
Outras medidas foram analisadas e aprovadas no encontro, como a criação de um comitê de discussão intelectual. ‘‘Além de atender às necessidades de circulação de artistas e de produção, esse fórum vai promover discussões com humanistas e intelectuais. Será um intercâmbio de informações’’, explica Mari Torres.
O plano de estratégia, até 2002, é fazer uma reavaliação da missão da Rede. Fundada em Parati (RJ) há quase 10 anos como uma organização sul-americana, aos poucos a Rede foi incorporando a América Central e o Caribe. Agora, a organização também abrange membros-associados - entidades ou pessoas que tenham afinidade e queiram colaborar com o trabalho da organização.
‘‘A Rede está eliminando as fronteiras físicas para criar uma só cultura latino-caribenha, na qual o importante é o desenvolvimento da sociedade civil através da integração de uma identidade cultural’’, diz Mari Torres.
Com a aprovação do novo estatuto - que criou a sede fixa em Londrina e ampliou o mandato da presidência para dois anos - a organização foi dividida em quatro regiões: Sul, Andina, Caribe e Centro-América. Com essa mudança, conclui Mari Torres, as quatro regiões terão papéis fundamentais no envolvimento de todas as partes do continente. ‘‘A partir de agora haverá propostas regionais. A Rede vai fazer um diagnóstico para efetivar projetos de grande repercussão dentro de cada região’’, antecipa.
A Rede de Promotores tem conquistado aliados importantes em vários países, como é o caso da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e a Universidade de Porto Rico. Em Londrina, os membros da organização se reuniram ontem com o reitor e o Conselho Administrativo da UEL. Durante o encontro, aconteceu a entrega de uma minuta que firma um acordo entre as duas universidades.
O núcleo de Londrina na Rede é representado pelo Festival Internacional (Filo). Diante das dificuldades do evento em conseguir verbas esse ano, o encontro organizou um abaixo-assinado solicitando aos órgãos governamentais e parlamentares medidas concretas de apoio e contribuição ao festival, que começa hoje. Representantes de mais de 20 países assinaram o documento.Celso Pacheco/DivulgaçãoA presidente da Rede de Promotores Culturais, Mari Torres-Hutchinson, e Nitis Jacon: encontro em Londrina antecipou resoluções para o novo milênioTerminou ontem em Londrina o encontro anual da Rede de Promotores Culturais da América Latina e Caribe

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