Curitiba - A diretora-presidente do Centro Cultural Teatro, Guaíra Nitis Jacon, marcou para a próxima semana uma reunião com o conselho de administração da instituição para definir regras sobre as promoções dos eventos culturais realizados por produtores independentes no espaço. Desde que o conselho do Guaíra reviu o acordo praticado no governo anterior, de limitar em 240 os ingressos destinados para estudantes, a administração do teatro e os produtores culturais têm vivido um impasse.
Para compensar os prejuízos da meia-entrada cobrada para estudantes e maiores de 60 anos, sem discrinação de espaço e cotas, os produtores dediciram ampliar as categorias que se beneficiam com o desconto e estenderam o pagamento da meia-entrada para todos aqueles que doarem um quilo de alimento não perecível, incluindo estudantes e maiores de 60 anos. A medida não tem agradado a administração do Guaíra e tem gerado polêmica. Em nota enviada à imprensa, o Guaíra alega não ter espaço físico disponível para atender a medida dos produtores e receber os alimentos doados.
Em entrevista ao Folha 2, ontem, por telefone, Nitis Jacon disse que, independente das promoções feitas pelos produtores, é preciso garantir que a lei estadual que determina meia-entrada para estudantes seja cumprida, sem determinação da localização das cadeiras. ''Promoções desse tipo não devem tirar o direito do estudante de ter o desconto'', disse, se referindo às doações. Nitis esclareceu que, em abril, um acordo informal com os produtores culturais determinou que não seria mais permitido limitar as cotas de ingresso com desconto para estudantes.
A produtora cultural Verrinha Walflor, que trabalha na área há mais de 30 anos, argumenta que os produtores teriam prejuízos caso estendessem os lugares e não determinassem cotas para o benefício. ''Não teríamos como trazer os espetáculos ou os preços praticados seriam muito altos para compensar o prejuízo, atingindo a todos.'' Por causa da medida, Verrinha já tem pensado em não focar apenas em Curitiba os eventos que produz. ''A cobrança da meia-entrada para quem doar um quilo de alimento é praticada em todo o País e com anuência dos empresários dos artistas. Ao contrário de limitar, estende o benefício para mais uma categoria'', justifica.
Quanto ao fato do teatro não ter espaço físico para receber as doações, Verrinha esclarece que faz um acordo com as instituições beneficiadas para que essas recolham os alimentos diariamente. Somente nos últimos três eventos realizados pela produtora no Teatro Guaíra (os shows de Maria Rita, Zeca Baleiro e Fagner e a apresentação da companhia de dança americana Momix, todas em novembro), Verrinha arrecadou 15 toneladas de alimentos, que foram doados para a instituição Pequeno Cotolengo, que atende pessoas com deficiências. ''Eu não gostaria de parar com a medida e não vou parar. Independente das regras do teatro, vou encontrar soluções para continuar pedindo a doação'', disse.

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